"Devolvam-nos a infância"

Para evitar uma geração perdida, o programa Dinheiro para Educação apoiou, no último ano, 330 mil crianças e jovens refugiados sírios na Turquia.

Quando saiu da cidade síria de Alepo, há dois anos, Fatima Sheikh Taha pensou, acima de tudo, no futuro dos três filhos. "A situação era difícil. O meu filho mais velho saiu da escola durante a guerra. Queria um futuro melhor para os meus filhos. Por isso vim para aqui".

Voluntária no Crescente Vermelho, em Sultanbeyli, na zona oriental de Istambul, Fatima não recebe salário. O marido arranja trabalhos temporários e com rendimento incerto.

Esta família foi uma das beneficiárias do programa Conditional Cash Transfer for Education (CCTE), que atribui uma verba por cada criança refugiada que frequente a escola. Ao incentivar a educação, o programa procura também combater o trabalho infantil, o casamento precoce e o número de crianças pedintes nas ruas.

Desde junho de 2017 e até ao final de abril deste ano, o CCTE, financiado pela União Europeia (UE), apoiou cerca de 330 mil menores refugiados. "Há mais crianças na escola", salienta Christian Berger, embaixador da UE na Turquia. "Ainda existem cerca de trezentas mil que têm de ser integradas no sistema escolar, mas o número está a aumentar. Também há menos peso no sistema de educação turco. Já não há duplos e triplos turnos nas escolas".

Nos próximos meses, a UE planeia construir 200 novas escolas na Turquia, para evitar a "perda de uma geração" que "viu coisas que as crianças nunca deviam ver na sua vida", lembra o representante da UNICEF na Turquia, Philippe Duamelle.

"As crianças sírias foram testemunhas do horror e da violência da guerra e dar-lhes a acesso à educação é também aprender a lidar com isso e voltar à vida normal", afirmou Philippe Duamelle à TSF, durante uma visita ao Centro de Educação Temporário Yildirim Beyazit Ilkokulu, em Istambul.

1250 crianças refugiadas sírias frequentam este Centro, onde, no terceiro ano, há salas de aula com 45 a 50 alunos.

"Do ponto de vista pedagógico, não é o ideal ter turmas tão cheias", admite Salih Yalçin, o coordenador dos dois pisos destinados às crianças sírias. "No entanto, comparado com anos anteriores, temos um edifício maior e serve os objetivos", sublinha. Salih Yalçin acredita que as crianças sírias se sentem integradas na Turquia, a ponto de não terem medo de revelar que "o pai morreu na guerra". Mas as cicatrizes estão vincadas até na música que um estudante sírio, de 11 anos, escolhe para receber quem chega de fora:

"O nosso país ardeu até ao chão,

A liberdade foi-nos tirada.

Ajudem-nos, apoiem-nos.

Devolvam-nos a infância,

Devolvam-nos a paz".

A repórter viajou a convite da UNICEF da Turquia.

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