Do adeus aos médicos cubanos ao olá ao juiz que prendeu Lula. Bolsonaro ainda só foi eleito há um mês

O fim do programa Mais Médicos e os convites, a conta-gotas, para ministros do seu Governo, marcam o primeiro mês de presidência oficiosa de Jair Bolsonaro.

De entre os 15 ministros já confirmados para o Governo de Jair Bolsonaro, destaque para o peso dos militares nas escolhas de um Presidente que é capitão do exército reformado. Há um tenente-coronel, além de três generais, que se juntam entretanto ao vice-presidente General Hamilton Mourão.

Além desse núcleo militar, Bolsonaro fez-se rodear de neoliberais na Economia, escolhidos a dedo por Paulo Guedes, o titular do superministério das Finanças, que abarca as áreas do Planeamento, Comércio e Indústria.

O terceiro núcleo do Governo é o "núcleo ideológico" (chamemos-lhe assim). Com a pasta das Relações Externas estará Ernesto Araújo, que diz querer combater "o globalismo pilotado pelo marxismo cultural" - algo que assume que só poderá fazer com a fé em Cristo e em Donald Trump. Na Educação, Ricardo Rodríguez, que quer recuperar valores conservadores e cristãos e censurar professores que não se mostrem apartidários. Na Agricultura, Tereza Cristina, uma defensora do desmatamento da Amazónia. E na Justiça, a "estrela" do executivo, Sérgio Moro, o juiz símbolo da luta contra a corrupção, que ordenou a prisão de Lula da Silva, o antigo Presidente brasileiro que chegou a liderar as sondagens presidenciais à frente de Bolsonaro.

Convites à parte, Bolsonaro tomou outra ação de grande impacto: as exigências a Cuba que levaram ao cancelamento, por Havana, do programa Mais Médicos. Através deste programa, implantado durante o mandato da ex-Presidente brasileira Dilma Rousseff, cerca de 9 mil médicos cubanos atendiam uma população estimada de 28 milhões de brasileiros, sobretudo da classe mais pobre.

Para compensar, Bolsonaro decidiu abrir editais, para que médicos brasileiros ocupem os seus lugares. Porém, não será fácil estimular os clínicos a migrarem para as profundezas de um país real a que o novo Presidente ainda mede o pulso.

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