Hillary aceita nomeação e diz que será presidente de "todos" os americanos

Em Filadélfia, a candidata elogiou o percurso de Bernie Sanders, com quem vai "trabalhar" para derrotar Trump, que acusa de querer "dividir" o país. América não será de muros, mas de oportunidades.

Reportagem de João Alexandre nos Estados Unidos.

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Foi sob o olhar de milhares de delegados presentes na convenção - e de milhões de norte-americanos por todo o mundo - que Hillary Clinton aceitou finalmente a nomeação para candidata pelo Partido Democrata à Casa Branca: "É com humildade, determinação e uma confiança sem limites na promessa da América que eu aceito a vossa nomeação para a Presidência dos Estados Unidos".

Uma nomeação que não foi apoiada por todos, com alguns dos apoiantes de Bernie Sanders presentes na arena do Wells Fargo Center a fazerem-se ouvir durante um discurso em que Hillary Clinton deixou uma garantia a quem continua a fazer campanha pelo senador do Vermont.

"Eu ouvi-vos. A vossa causa é a nossa causa. O nosso país precisa das vossas ideias, da vossa paixão e da vossa energia. Essa é a única forma de consegui-mos transformar a nossa plataforma progressiva numa verdadeira mudança para a América", afirmou.

A tão esperada mensagem de união entre os democratas, na qual não deixou de salientar a importância da campanha de Bernie Sanders para o futuro: "A tua campanha inspirou milhões de americanos, principalmente os mais jovens. Colocaste os problemas sociais e económicos onde merecem estar".

E, feita a tentativa de apaziguar as hostes democratas, disse que, caso seja eleita, será a presidente de todos: "Serei uma presidente de democratas, republicanos, independentes, dos que que se esforçam dos que tentam, dos que têm sucesso, dos que votam e dos que não votam em mim", disse, acusando Donald Trump de querer "dividir" a sociedade americana.

Em Filadélfia, a candidata democrata deixou ainda uma garantia: "Nós não vamos construir um muro. Em vez disso, vamos construir uma economia na qual todos os que querem ter um emprego bem pago possam encontrar um", salientou.

Uma ideia sublinhada por aquela que será a primeira mulher nomeada por um grande partido para cocorrer à Casa Branca, um marco que, espera Hillary.Clinton, possa ser porta de entrada para mais oportunidades: "Vamos continuar até que cada um das mais de 161 milhões de mulheres e meninas tenham a oportunidade que merecem".

Uma América de oportunidades e, diz a antiga primeira-dama, com a promessa de melhor saúde e educação, de luta contra o lóbi das armas, de melhores salários para os trabalhadores e de respeito pelos direitos civis.

"Quando não há nenhum teto, o céu é o limite", diz.

Antes, e para introduzir a candidata, foi Chelsea Clinton, a filha de Hillary e Bill Clinton, a pisar o palco, num discurso em que afirmou que a mãe é alguém que "nunca se esquece daquilo por que luta".

Dizendo-se "orgulhosa", lembrou ainda que Hillary Clinton "é movida pela compaixão, pela fé e por um coração cheio de amor".

Governador do estado de Nova Iorque contra o "medo" da campanha de Trump

Durante o último dia da convenção, falou ainda Andrew Cuomo, o governador de Nova Iorque - o Estado no qual Hillary Clinton foi senadora entre 2001 e 2009 -, com muitos elogios à candidata democrata, salientando a "visão, inteligência e qualificações para ser uma força transformadora", garantindo que, ao contrário de Donald Trump, a antiga primeira-dama vai "unir, não dividir" o país.

"É por isso que nós temos que fazer Hillary Clinton a próxima presidente dos Estados Unidos", exclamou o governador, perante o entusiasmo do Wells Fargo Center, onde acusou ainda o candidato republicano de liderar uma campanha que tem por base o medo.

"O medo é uma arma poderosa. Ele pode excitar, motivar e levar as pessoas a gritar. Pode até mesmo levá-lo ao poder, mas o medo não criou um emprego, não educou uma criança e o medo nunca vai construir uma nação", defendeu Andrew Cuomo.

Nancy Pelosi pede mais poder no Congresso

Com os republicanos a terem a maioria dos lugares no Congresso - constituído pelo Senado e pela Câmara dos Representantes, o partido democrata não quer perder a oportunidade de voltar a ganhar margem de manobra, depois das dificuldades durante o último mandato de Barack Obama.

Nancy Pelosi, a líder do partido, em minoria na Câmara dos representantes, pede, por isso, empenho máximo no apoio a Hillary Clinton e ao número dois, Tim Kaine, para vencer a eleição e reconquistar a maioria no Congresso.

"Vamos juntar-nos e fazer campanha pela Hillary Clinton e pelo Tim Kaine. E digo-vos isto: Eles vão ganhar em novembro. Vamos lutar para restaurar a maioria democrata no Senado e na Câmara dos Representantes. Nós podemos fazê-lo", disse a democrata.

A TSF acompanha as eleições norte-americanas com o apoio da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento

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