Espião ou não? Um americano que adora a Rússia viu-se enredado numa nova Guerra Fria

Paul Whelan foi acusado de espionagem na Rússia, mas não lhe foram apresentadas provas que sustentam a acusação. Provavelmente o seu único crime foi gostar demasiado de um país que historicamente é inimigo do seu.

Paul Whelan, antigo membro da marinha norte-americana, tem uma paixão especial pela Rússia. Adora viajar de comboio pelo país, coleciona pires com imagens históricas russas e nas redes sociais é amigo de vários russos, como um cabeleireiro que é também ex-membro do exército. Agora está a ser acusado de espionagem.

Conta o New York Times que o norte-americano foi detido no mês passado e está em isolamento na conhecida prisão de Lefortovo, usada pelo KGB e seus sucessores para encarcerar dissidentes soviéticos e espiões estrangeiros. O Governo norte-americano escusa-se a comentar o caso, mas antigos agentes da CIA dizem que Paul está inocente.

O norte-americano visita a Rússia em média duas vezes por ano desde 2006 e tem conta no Vkontakte, o equivalente ao Facebook na Rússia, há dez anos. Não faz publicações frequentes mas assinala os principais feriados do país e ocasionalmente partilha opiniões sobre política norte-americana.

Apesar de ter estudado russo, alguns dos seus amigos online dizem que ele comunica com ajuda do Google Tradutor.

Paul Whelan foi preso depois de uma mulher russa, Maria Butina, admitir estar envolvida num esforço organizado, apoiado por autoridades russas, para influenciar norte-americanos influentes do Partido Republicano e da Associação Nacional de Espingardas.

Pouco tempo depois, o norte-americano foi acusado de tentar recrutar cidadãos russos para obter informações confidenciais sobre membros de agências de inteligência. Foi detido cinco minutos depois de ter recebido uma pen USB com estas informações, escreve a agencia de notícias russa Rosbalt. Já o advogado de Paul Whelan diz que nunca lhe foram apresentadas provas.

Antigos agente da CIA dizem-se céticos quanto à acusação. A agência, garante, nunca mandaria um dos seus agentes para a Rússia sem proteção diplomática, desprotegidos contra detenções. Com passaportes diplomáticos os cidadãos estrangeiros nunca podem ser detidos durante longos períodos de tempo e no máximo enfrentam a expulsão do país.

Em vez disso, acreditam que as provas foram "fabricadas" e que a detenção de Paul Whelan se trata de uma retaliação por parte da Rússia depois da acusação a Maria Butina, uma manobra semelhante às praticadas por ambos os países durante a Guerra Fria naquele que é novo período de tensão entre a Rússia e os Estados Unidos.

Foi, inclusive, dizem, uma medida desnecessária. Não será preciso chegar a um acordo para "trocar" a deportação de Maria Butina pela de Paul Whelan. Como a mulher russa colaborou com as autoridades, provavelmente será libertada nos próximos meses.

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