Eleições

Grécia: Vitória esforçada da direita, Samaras concretiza sonho

A direita conservadora grega parece ter garantido finalmente a possibilidade de formar um governo de coligação, após vencer hoje um escrutínio muito disputado e seguido com particular atenção pelos círculos políticos e financeiros internacionais.

A Nova Democracia (ND) de Antonis Samaras -- que também se prepara para concretizar o velho sonho de chefiar um executivo -- obteve 29,5 por cento dos votos, assegurando 128 dos 300 lugares de deputados, incluindo o "prémio" de 50 deputados concedido ao partido que garante a primeira posição.

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Apesar de a estimativa oficial ser baseada em menos de 50 por cento dos votos escrutinados, Samaras já reivindicou vitória, foi felicitado pelos principais adversários políticos e numa primeira reação convidou todos os «partidos pró-europeus» a participar num «governo de união» dirigido pela ND.

Com o Pasok (centro-esquerda), que obteve 12,3 por cento de votos e 33 lugares, a ND poderá garantir a tão ambicionada maioria absoluta de 161 lugares, que lhe permitirá fazer aprovar as reformas necessárias exigidas pelos credores internacionais (União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) para o prosseguimento dos empréstimos financeiros num país em profunda crise económica.

No entanto, o líder do Pasok, Evangelos Venizelos, já apelou para a formação de uma ampla coligação que também integre as formações à sua esquerda, e poderá não responder ao desafio de Samaras.

Assim, o pequeno partido pró-euro Esquerda Democrática (Dimar), que garantiu 6,2 por cento de votos e 17 deputados, assume uma inesperada função para o jogo de alianças que começa a ser delineado já na segunda-feira.

Este segundo escrutínio em menos de dois meses, após as inconclusivas eleições de 06 de maio, confirmou a radicalização interna e uma nova bipolarização.

À semelhança do que sucedeu há seis semanas, o escrutínio de hoje confirma a desagregação do velho bipartidarismo que dominou o país desde o regresso da democracia em 1974, ilustrada pela recusa dos gregos em aceitar a políticas de austeridade e a velha classe política clientelista, considerada responsável pelo colapso do país.

À esquerda, a Syriza, acérrima inimiga das políticas de austeridade, prosseguiu um forte crescimento eleitoral ao obter 27,1 por cento (16,78 no escrutínio de maio) e consolidou a posição de segundo maior partido da Grécia.

O líder, Alexis Tsipras, já reconheceu a derrota, mas rejeitou a ideia de integrar uma coligação de "unidade e salvação nacional".

O partido neonazi Aurora Dourada (Chryssi Avghi) resistiu com 7 por cento de votos e 18 lugares (21 deputados em 06 de maio, quando pela primeira vez conseguiu representação parlamentar na história moderna da Grécia).

Uma das grandes surpresas destas eleições antecipadas foi resultado do Partido Comunista Grego (KKE), uma das últimas formações estalinistas da Europa, conhecida pela base de apoio muito estável, mas que perdeu metade dos eleitores, com apenas 4,5 por cento dos votos (12 lugares), contra 8,48 por cento e 26 deputados.

O sétimo partido a obter representação no hemiciclo, e como sucedeu há seis semanas, foram os Gregos Independentes, uma formação nacionalista e conservadora que resultou de uma cisão da ND liderada por Panos Kammenos (perto dos 6 por cento), e que também poderá ter uma palavra nos jogos políticos de bastidores que já se iniciaram em Atenas.