Europa

Primeiro-ministro italiano ataca o eixo franco-alemão

Numa entrevista ao jornal Die Welt, Mário Monti diz que Angela Merkel e Nicolas Sarkozy cometem um erro grave se pensam que podem dirigir a União Europeia sozinhos.

O primeiro-ministro italiano, Mário Monti, reclamou hoje um maior protagonismo da Itália e de outros Estados no debate sobre a crise da dívida, defendendo que a União Europeia não pode ser dirigida apenas pela Alemanha e a França.

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Numa entrevista publicada no jornal Die Welt a propósito da visita a Berlim para se encontrar com a chanceler Angela Merkel, Monti distanciou-se da Alemanha e da França devido à sua postura face à crise europeia da dívida.

Angela Merkel e Nicolas Sarkozy «cometem um grave erro se pensam que podem dirigir a UE sozinhos», afirmou Monti, que acrescentou que «a Europa devia ter vários centros, sendo a Itália um deles».

Os dois países não deveriam «olhar demasiado de cima» quando falam de disciplina orçamental, disse o primeiro-ministro italiano, destacando que o pior erro dos últimos 10 anos foi cometido precisamente pela Alemanha e pela França em 2003 ao não cumprir os critérios de Maastricht.

A Itália «é um país forte, orgulhoso e com uma economia eficiente», afirmou Mário Monti que expressou ainda o seu receio sobre o desenvolvimento de protestos antieuropeus no seu país caso não se consigam progressos claros face aos «duros sacrifícios» exigidos.

«Se não se produzirem num tempo razoável êxitos palpáveis com a poupança e as reformas introduzidas na Itália, surgirá um protesto no país também contra a Alemanha, considerada a líder da intolerância na UE, assim como contra o Banco central Europeu», sublinhou.