Internacional

Strauss-Kahn acusado de cumplicidade agravada em rede organizada de proxenetismo

Dominique Strauss-Kahn foi hoje acusado de «cumplicidade agravada em rede organizada de proxenetismo» pelos juízes encarregados do chamado caso do hotel Carlton, em Lille, no norte de França, anunciaram os seus advogados.

«Ele afirma com a maior firmeza não ser culpado de nenhum destes factos e não ter nunca a menor consciência de que as mulheres em causa pudessem ser prostitutas», afirmou Richard Malka, um dos advogados de Strauss-Kahn, ex-diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Strauss-Kahn foi colocado em liberdade sob controlo judicial, anunciou o procurador de Lille, em comunicado, acrescentando que os juízes de instrução determinaram o pagamento de «uma caução de 100 mil euros».

«Na sua audição, Dominique Strauss-Kahn foi colocado sob controlo judiciário com interdição de entrar em contacto com outros acusados, com as partes civis, os testemunhos e qualquer órgão de imprensa a propósito dos factos objeto da investigação», esclarece o magistrado.

A audição de Strauss-Kahn começou ao início da tarde, tendo o antigo diretor-geral do FMI saído do palácio da justiça de Lille às 22h00 (21h00 em Lisboa).

A defesa do antigo líder do FMI anunciou à noite a sua intenção de recorrer da decisão do tribunal: «Vamos pedir a anulação desta decisão» de acusar Strauss-Kahn, afirmou Henri Leclerc, um dos seus três advogados.

«Ninguém pode compreender a aplicação da noção de proxenetismo nesta situação. É ainda mais incompreensível e contrário ao senso comum utilizar as noções de rede organizada para uma simples atividade libertina», afirmou, por seu lado, Richard Malka, outro elemento da defesa.

Os advogados de Strauss-Kahn anunciaram ainda que vão dar uma conferência de imprensa na terça-feira às 15h00 (14h00 em Lisboa), em Paris.

O ex-ministro socialista está a responder à justiça pelas acusações de «cumplicidade de proxenetismo agravada em rede organizada» e «abuso de bens sociais». Não foi revelado o motivo da antecipação da convocatória.

Estes crimes são passíveis de penas de prisão de 20 anos e de cinco anos, respetivamente.

Strauss-Kahn é suspeito de ter participado em várias festas de teor sexual organizadas por amigos e por dois empresários da região norte de França.

Os juízes procuram determinar em que medida o ex-responsável do FMI sabia que as participantes destas festas realizadas em várias cidades, como Paris e Washington, eram profissionais pagas.

Algumas das participantes afirmaram que o político francês não tinha forma de ignorar esta informação ou que tinha total conhecimento da situação, afirmações que Dominique Strauss-Kahn rejeitou sob custódia judicial.