Ex-Presidente da Costa do Marfim começou a ser julgado em Haia

Laurent Gbagbo é o primeiro antigo chefe de Estado a ser julgado nem Haia, cinco anos após desencadear uma instabilidade política que causou 3.000 mortos.

A comparência de Laurent Gbagbo em Haia é o culminar da agitação que assolou a nação africana quando o antigo Presidente da Costa do Marfim se recusou a deixar o cargo, apesar de ter perdido as eleições de novembro de 2010 para Alassane Ouattara, seu rival de longa data.

O jornalista Joaquim Ferreira explica como está a ser o primeiro dia do julgamento de Laurent Gbagbo

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Os procuradores alegam que, com a polícia, o exército e jovens apoiantes organizados na milícia "Jovens Patriotas", Gbagbo e os membros do seu círculo íntimo, como Ble Goude, lutaram para permanecer no poder.

Os que morreram ou ficaram feridos foram "vítimas de ataques por parte de forças públicas ou grupos organizados, que atuavam sob o controlo de uma certa hierarquia" sustenta Richard Nsanzabaganwa, do gabinete da procuradoria do TPI.

Na declaração inicial, Laurent Gbagbo declarou-se "inocente" das quatro acusações de crimes contra a humanidade no julgamento. O antigo Presidente da Costa do Marfim e o ex-líder de uma milícia, Charles Ble Goude, negaram as acusações de planeamento de organização de "um plano comum" que levou a assassínios "generalizados", violações, perseguições e outros "atos desumanos".

Parecendo relaxado, num fato preto com uma camisa azul clara, o ex-homem forte da África Ocidental chegou cedo ao tribunal, sorrindo e apertando a mão dos elementos da sua equipa de defesa.

Gbagbo, de 70 anos, e Ble Goude, de 44, são ambos acusados de quatro crimes contra a humanidade, acusação por terem organizado um "plano comum para mantê-lo como Presidente por todos os meios necessários".

Face a divisões sobre os acontecimentos entre 2010 e 2011, o juiz presidente Cuno Tarfusser prometeu que o TPI "não permitiria que este julgamento fosse usado como ferramenta política ou utilizado de qualquer outra forma".

"Posso assegurar-vos que o tribunal avaliará todas as provas de forma completamente imparcial", disse o juiz, acrescentando que a sua "tarefa (...) é determinar se as acusações estão bem estabelecidas ou não".

Abidjan, uma das cidades mais cosmopolitas de África, foi transformada numa zona de guerra entre 2010 e 2011, com confrontos entre as forças rivais, numa luta de poder mortal.

Entretanto, a comunidade internacional apoiou Ouattara como o vencedor das eleições presidenciais e Gbagbo acabou por ser preso por tropas do novo Presidente, auxiliadas por forças francesas e da ONU, sendo posteriormente extraditado para o TPI em 2011.

A mulher de Laurent Gbagbo foi condenada a 20 anos de prisão em 2015, num julgamento em Abidjan, pelo seu papel nos acontecimentos e, agora, o ex-Presidente da Costa do Marfim enfrenta - tal como o seu aliado Charles Ble Goude - quatro acusações de crimes contra a Humanidade, devido ao plano de estender o seu mandato por 10 anos através de uma campanha brutal de assassinatos e violações.

Durante o julgamento, os procuradores tencionam apresentar 5.300 elementos de prova, incluindo vídeos, bem como 138 testemunhas.

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