FELPO. Na Bahia, Angola, Brasil e Portugal formaram "uma só família"

António Zambujo e Ana Moura foram os representantes portugueses no concerto do Festival da Língua Portuguesa (FELPO). Houve parcerias inesperadas, comunhão e mensagens políticas, com Daniela Mercury no comando.

Se o objetivo do concerto no Farol da Barra, em Salvador, era homenagear e celebrar a língua portuguesa e a cultura lusófona, a missão foi cumprida. Ao longo de quase três horas, no palco criado pelo Festival da Língua Portuguesa (FELPO), artistas como Daniela Mercury, António Zambujo, Ana Moura, Paulo Flores, Saulo, Magary Lord ou Márcia Short deram relevo à palavra e à língua portuguesa, e animaram milhares de pessoas que, depois de um dia em que a chuva ameaçou estragar os planos, foram brindadas com uma noite de altas temperaturas. Quanto à chuva, só apareceu bem perto do fim do espetáculo.

"É uma honra estar aqui em Salvador celebrando a língua portuguesa",disse, logo no começo do espetáculo, o português António Zambujo que, de regresso à Bahia, apresentou ao público os temas "Zorro", "Flagrante" e "O Meu Amor", escrita por Chico Buarque e, ali, interpretada num dueto com o baiano Saulo.

Mais tarde, o músico natural de Beja acabaria por voltar ao palco para outro dueto, desta vez cantando "Nobre Vagabundo" com a baiana Daniela Mercury. "Ele canta muitas músicas brasileiras, com doçura e delicadeza", notou a Rainha do Axé, que encarnou o papel de anfitriã do festival.

Com uma banda formada por músicos baianos, Daniela Mercury interpretou outros temas que a tornaram célebre em Portugal, como "Rapunzel" ou "O Canto da Cidade", um tema para o qual convidou todos os músicos a juntarem-se em palco. "É agora que a família angolana, a família brasileira e baiana e a família portuguesa vão dançar. Vão dançar todas as famílias. Somos uma só família", sublinhou a artista que, ainda antes do dueto com António Zambujo, cantou "À Primeira Vista" com a fadista portuguesa Ana Moura, num momento de grande cumplicidade.

"Daniela Mercury faz parte da música dos portugueses desde sempre e faz parte da minha banda sonora desde sempre. É uma honra estar aqui, é indescritível", disse a fadista que, esta sexta-feira, se estreou em palcos baianos apresentando ao público "Meu Amor Foi Para o Brasil", "Fado", "Desfado" e "Mbirim Mbirim" - este último tema cantado em parceria com o músico angolano Paulo Flores que, visivelmente satisfeito com o encontro lusófono, disse: "Vim de Angola para vos abraçar".

Ao longo da noite, por várias vezes se ouviu "viva a língua portuguesa", num espetáculo que, liderado por uma banda composta por músicos baianos, reuniu músicos de Angola, Brasil e Portugal, para sublinhar a importância de preservar o sentimento e cultura lusófonas, mas também para marcar as comemorações oficiais dos 470 anos da cidade de Salvador, a primeira capital daquele que é o maior país do mundo onde se fala a língua portuguesa.

No palco, e num momento conturbado da política brasileira, também houve espaço para uma mensagem de teor mais político, com Daniela Mercury a afirmar: "Salve a liberdade e a democracia. Censura, nunca mais. Ditadura, nunca mais".

O FELPO - Festival da Língua Portuguesa é organizado pela TSF em parceria com a Prefeitura de Salvador, a propósito da celebração dos 470 anos da cidade brasileira.

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