França reconhece crime de Estado em Argel

Emmanuel Macron reconhece a responsabilidade do Estado no crime de guerra, tortura e morte de um jovem assistente na faculdade de Argel, em 1957.

O governo francês vai tornar públicos arquivos que confirmam a morte e tortura do matemático Maurice Audin e denunciam o sistema político que aceitou a tortura como instrumento de terror. O anúncio foi feito pelo matemático e deputado Cédrid Villani, esta quinta-feira, à antena da France Inter.

O matemático comunista, com 25 anos na altura, desapareceu a 11 de junho de 1957, durante da batalha de Argel, sem deixar rasto.

Esta é a primeira vez que o Estado francês reconhece um crime de guerra durante a batalha de Argel, aponta Pierre Mansat, presidente da Associação Maurice Audin.

"O Presidente da República reconhece, nesta declaração, a responsabilidade do Estado quanto à tortura e assassínio de Maurice Audin, sequestrado por militares franceses, torturado e executado. Reconhece a responsabilidade do Estado e o crime de Estado. Denuncia o sistema político que permitiu, valorizou e aceitou a tortura como instrumento de terror para com defensores da independência da Argélia. Anuncia a abertura, sem restrições, dos arquivos e lança um apelo aos testemunhos para todos os que sabem de situações como o caso de Maurice Audin, mas também de milhares de argelinos que foram sequestrados, torturados, assassinados e que desapareceram", afirmou Pierre Mansat.

Mais de seis décadas depois do desaparecimento de Maurice Audin, este é considerado "um momento histórico". "Esta quinta-feira, 13 de setembro, o Presidente da República deverá remeter a Josette Audin e aos filhos, Michèle e Pierre Audin, uma declaração que corresponde ao que estamos à espera há 61 anos", lembrou o presidente da Associação Maurice Audin.

A história de Maurice Audin revelou a prática de tortura francesa durante a guerra na Argélia. E se, há três meses, a TSF noticiava a manifestação na praça Maurice Audin para exigir o reconhecimento público deste crime de Estado , o dia chegou. A verdade quanto às circunstâncias do desaparecimento são agora confirmadas pelo Estado Francês.

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