França tinha sido alertada para reforço de contactos entre jihadistas e ativistas locais

França foi alertada nas últimas semanas para um notório aumento das comunicações entre grupos jihadistas no Médio Oriente e possíveis ativistas locais, assegurou hoje um dos principais especialistas israelitas em serviços secretos.

"As comunicações tinham como destino várias cidades em França", assegurou o jornalista Ronen Bergman, do diário "Yediot Aharonot", que cita fontes nos serviços secretos israelitas e ocidentais.

A partir destes alertas "tomaram-se sobretudo medidas defensivas, como o reforço da vigilância na zona das embaixadas estrangeiras em Paris", mas não foram feitos esforços para intercetar os autores de uma sucessão de atentados em Paris, que mataram pelo menos 129 pessoas.

Num artigo intitulado "O fiasco da Inteligência", citado pela agência Efe, Bergman afirma que "agora é impossível saber se os alertas que a França recebeu tinham a ver especificamente com este ataque, mas ainda assim continua a ser um fiasco".

Segundo o jornalista, depois dos atentados na redação do "Charlie Hebdo", a França apenas tomou pequenas medidas, em vez de realizar uma reforma geral para resolver o problema do terrorismo.

Um alto responsável do FBI contou que os Estados Unidos e Israel propuseram à França a disponibilização de equipamentos eletrónicos que permitem escrutinar as redes sociais e intercetar mensagens.

"Mas nada aconteceu", critica o especialista, que atribui o fracasso da inteligência francesa em identificar os autores dos atentados à sua incapacidade de "partilhar informação".

"Os franceses mostraram --se muito relutantes a tudo o que tem que ver com partilha de informação", acrescentou, referindo que os especialistas sobre terrorismo consideram "imprescindível para a luta contra os jihadistas".

Uma maior colaboração nesta área, explica, ajudaria a elaborar listas de suspeitos e impediria a passagem de muitos jihadistas de um país para outro ou mesmo a sua entrada no espaço europeu.

Bergman defendeu ainda que a lita contra o terrorismo exige um "grande investimento de recursos" e a criação de "mecanismos de informação comuns a todos os estados".

O grupo extremista autodenominado Estado Islâmico reivindicou no sábado, em comunicado, os atentados de sexta-feira em Paris, que causaram pelo menos 129 mortos, entre os quais dois portugueses, e 352 feridos, 99 em estado grave.

Oito terroristas, sete deles suicidas, que usaram cintos com explosivos para levar a cabo os atentados, morreram, segundo fontes policiais francesas.

Os ataques ocorreram em pelo menos seis locais diferentes da cidade, entre eles uma sala de espetáculos e o Stade de France, onde decorria um jogo de futebol entre as seleções de França e da Alemanha.

A França decretou o estado de emergência e restabeleceu o controlo de fronteiras na sequência daquilo que o Presidente François Hollande classificou como "ataques terroristas sem precedentes no país".

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