Gargalhadas à esquerda na apresentação do Prémio Sakharov 2017

A escolha do prémio Sakharov não foi consensual e a cerimónia de apresentação do vencedor ficou marcada por uma sonora gargalhada de protesto de deputados da esquerda parlamentar.

O presidente do Parlamento Europeu, António Tajani, explicava que o prémio atribuído este ano à oposição democrática venezuelana distingue "aqueles que contribuíram, de modo excecional, para a luta pelos direitos humanos e não para uma cor política".

Foi nesse momento que soaram gargalhadas vindas da ala esquerda do hemiciclo. Muito agastado, Tajani disse: "Respeite-se a maioria."

"Podem não estar de acordo com a maioria. Mas, em democracia, é preciso respeitar a vontade da maioria deste Parlamento", disse o presidente da instituição com sede em Estrasburgo, advertindo ainda que "não há nada para rir quando se trata de defender direitos humanos".

Antonio Tajani disse que a escolha do vencedor prende-se com o "dever" do Parlamento de "denunciar, mais uma vez, a situação inaceitável na Venezuela".

"A ditadura de Maduro roubou os cidadãos venezuelanos dos seus direitos fundamentais, tornando-se numa espiral de crises: económica, social, institucional e humanitária", disse Tajani, frisando que, "nos últimos anos, as condições de vida dos venezuelanos deterioraram-se muito, forçando um êxodo crescente de cidadãos, que fugiram do país".

O presidente do Parlamento Europeu pediu que sejam abertos corredores humanitários, "para levar ajuda à população", e apelou a um processo de "transição democrática na Venezuela".

Os galardoados pelo Parlamento Europeu são a Assembleia Nacional (Julio Borges) e todos os prisioneiros políticos enumerados na lista do "Foro Penal Venezolano", representados por Leopoldo López, Antonio Ledezma, Daniel Ceballos, Yon Goicoechea, Lorent Saleh, Alfredo Ramos e Andrea González.

A decisão de atribuir o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento 2017 à Oposição Democrática na Venezuela foi tomada esta manhã pela Conferência dos Presidentes do PE, constituída pelo presidente da instituição e pelos líderes dos grupos políticos.

A 13 de dezembro, o plenário de Estrasburgo irá acolher a cerimónia de entrega do prémio, que inclui um certificado e um montante de 50 mil euros.

No último ano, o prémio foi atribuído a Nadia Murad e Lamiya Aji Bashar, sobreviventes da escravatura sexual do autoproclamado Estado Islâmico e defensoras da comunidade yazidi no Iraque.

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