Kristalina Georgieva: uma "tecnocrata" sem "dimensão humanitária"

O eurodeputado do PSD, Paulo Rangel reconhece que a nova candidata à ONU é "competente" mas "falta-lhe "visão política".

Kristalina Georgieva "fica a perder" na corrida com António Guterres às Nações Unidas, desde logo, porque apesar de ser uma "grande conhecedora das instituições internacionais e com uma visão global é essencialmente uma tecnocrata, falta-lhe o carisma e a visão política".

Paulo Rangel avisa que falta a Georgieva "a altura, a escala política" e a "dimensão humanitária" para exercer um cargo com esta natureza".

A candidatura de Georgieva "não deveria surgir agora" mas sim "no tempo dos outros candidatos. O eurodeputado sublinha que "esta entrada à ultima da hora é um pouco pela porta do cavalo".

Paulo Rangel lamenta o timing da candidatura

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Os pontos fortes da nova candidata, são no entender de Paulo Rangel, o facto de "poder ser a primeira mulher a ser secretária geral das Nações Unidas, de ser de um país de leste".

Falta carisma à nova candidata diz o eurodeputado Paulo Rangel

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A grande desvantagem, é no entender do eurodeputado, o facto de "estar muito ligada à União Europeia" o que pode causar "alguma fricção no caso da Rússia", avisa.

Candidatura de Kristalina à ONU "é natural"

O embaixador Francisco Seixas da Costa não fica surpreendido com a nova candidatura que classifica como uma "operação natural" que tem em conta as regras existentes.

O embaixador Seixas da Costa não está surpreendido que alguns países que não apoiam Guterres tenham avançado com esta nova candidatura

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Seixas da Costa confessa que "estava à espera que, perante este avanço progressivo do Eng. António Guterres nas votações indicativas até agora", pudesse surgir outra candidatura.

Na opinião do embaixador a candidatura de Georgieva faz parte de "uma operação natural" tendo em conta que há um grupo de países ou forças políticas que não se revê na candidatura de António Guterres".

"Esta fase tem formalmente legitimidade, é possível até ao último momento, aparecer um candidato", acrescenta.

Trata-se de uma "candidatura forte" considera o embaixador

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Seixas da Costa admite que todo este processo pode "parecer estranho, contra a transparência, mas está de acordo com as regras".

Apesar desta nova candidatura obedecer às normas das Nações Unidas o embaixador admite que a vida de António Guterres fica agora mais dificultada uma vez que "a candidatura de Georgieva é forte, apoiada pela Alemanha e é a mais perigosa para o candidato português".

"A grande valia de António Guterres é o facto de ser baseada numa afirmação de uma qualidade pessoal que até hoje nunca foi contestada em nenhum sector das Nações Unidas", afirma.

Seixas da Costa diz que António Guterres é um bom nome, mas lembra que estas votações resultam de negociações

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Ainda assim é preciso ter em conta que "a ONU é um órgão de equilíbrio geopolítico e há um conjunto de outros fatores que passam por negociações e jogos de corredor não conseguimos acompanhar".

O embaixador não exclui que "à última da hora poder haver um golpe que vai fazer mossa na imagem das Nações Unidas".

"Se Georgieva vier a ganhar (...) é a prova provada de que as Nações Unidas continuam a ser um palco para traficâncias de natureza geopolítica que naturalmente não servem os seus próprios propósitos", sublinha.

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