Bruxelas fala em dia marcante para a Grécia. Mas lembra: vigilância vai apertar

A Comissão Europeia saudou o "momento muito importante" que representa a saída da Grécia do programa de assistência, mas sublinhou que não representa o fim do caminho. Vai haver vigilância reforçada.

O comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, destacou, esta segunda-feira, que a conclusão do terceiro programa de apoio à estabilidade da Grécia marca "o início de um novo capítulo, após oito anos particularmente difíceis para o povo grego" e constitui também um marco para a zona euro, que deixa de ter países sob assistência, mas ressalvou que, sendo "uma etapa importante, não é o fim do caminho".

"A partir de amanhã [terça-feira], a Grécia será sujeita a uma vigilância reforçada no quadro pós-programa, com a Comissão na liderança. E posso anunciar hoje que a primeira missão pós-programa à Grécia terá lugar na semana de 10 de setembro", disse em conferência de imprensa na sede do executivo comunitário, em Bruxelas.

Moscovici sustentou que, "uma vez que a crise grega foi muito mais longa e dura do que qualquer outra, as suas reformas tão mais amplas, e a sua dívida permanece tão mais elevada, é normal que esta vigilância, que existe para todos os países que estiveram sujeitos a programa", entre os quais Portugal, "seja um pouco mais apertada" para a Grécia, "pelo menos nos tempos mais próximos".

No entanto, disse, o objetivo é "apoiar a consecução das reformas em curso, não se trata de impor novas reformas ou novos esforços", pelo que esta vigilância reforçada não é "nada que se pareça com um quarto programa".

"As amplas reformas que a Grécia levou a cabo abriram caminho a uma recuperação sustentável, e isso deve ser cultivado e mantido, para que o povo grego possa colher os frutos dos seus esforços e sacrifícios. A Europa continuará ao lado da Grécia", disse.

Também o presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, destacou que "a conclusão do programa de apoio à estabilidade marca um momento importante para a Grécia e para a Europa".

"Enquanto os seus parceiros europeus mostraram a sua solidariedade, o povo grego respondeu a cada desafio com coragem e determinação. Lutei sempre para que a Grécia permanecesse no coração da Europa. Numa altura em que o povo grego inicia um novo capítulo na sua rica história, encontrarão sempre em mim um aliado, um parceiro e um amigo", afirmou.

Esta manhã, também o presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, já sublinhara que, ao fim de oito anos, a Grécia "reconquistou o controlo pelo qual lutou", mas advertiu que tal também acarreta "responsabilidade" acrescida.

A Grécia concretiza a saída do seu terceiro programa de assistência, numa data histórica para o país e para a zona euro, que vira a página sobre oito anos de resgates.

O país europeu mais atingido pela crise económica e financeira, foi o primeiro e último a pedir assistência financeira - e o único "reincidente" -, e a conclusão do seu terceiro programa assinala também o fim do ciclo de resgates a países do euro iniciado em 2010, e que abrangeu também Portugal (2011-2014), Irlanda, Espanha e Chipre.

A Grécia será alvo de uma "vigilância pós-programa reforçada", com missões de três em três meses, para garantir que Atenas prossegue, nesta nova era pós-resgates, uma "política orçamental prudente".

No quadro do terceiro programa de apoio à estabilidade à Grécia, foi concedido a Atenas um total de 61,9 mil milhões de euros de empréstimos, o que significa que, no conjunto dos três "resgates", foram concedidos à Grécia desde 2010 um total de 288,7 mil milhões de euros de empréstimos (256,6 mil milhões de euros provenientes dos seus parceiros europeus e 32,1 mil milhões do Fundo Monetário Internacional, FMI).

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