"O fogo só parou no mar." Português do AEK descreve tragédia na Grécia

O médio André Simões campeão na Grécia relata o que se passou nos arredores de Atenas nos últimos dias.

O jogador do AEK de Atenas André Simões contou à TSF que os incêndios levaram o clube campeão grego o jogo de treino que tinham agendado para esta noite em Tessalónica. Explica o médio português que os jogadores entenderam que não existiam condições para jogar nesta altura. Por isso substituíram o encontro de preparação por uma recolha de fundos e uma dádiva de sangue.

"Tínhamos um jogo de treino marcado em Tessalónica que foi cancelado. Os jogadores decidiram que não havia condições, com o país neste momento complicado. Decidimos realizar uma angariação de dinheiro e também uma recolha de sangue para ajudar as pessoas", explicou à TSF o médio português.

Quando acordou na última segunda-feira, André Simões deparou-se com o céu de tom diferente do habitual. O sinal do início dos incêndios, que na altura lavraram ainda longe do local onde mora. "Na segunda-feira quando acordamos o céu já estava laranja. Naquele momento existia já muita cinza no ar", recorda.

"Eu vivo a 30 ou 40 quilómetros do incêndio e mesmo assim não posso abrir as janelas. Há ainda muito pó no ar". Mas os efeitos dos fogos chegaram também a Atenas, e ao centro de treinos do campeão grego, AEK.

"Quando nos apercebemos estávamos no centro de treinos, que fica a cerca de 10/15 quilómetros do local onde estavam os incêndios. Conseguimos ver dali o fogo", indica André Simões. "Nesse dia não treinamos porque havia muito fumo no ar, muita cinza e vento".

Foi da janela do ginásio que os jogadores acompanharam as horas seguintes, onde era visível o cenário em volta do centro de treino."O que começou como um incêndio florestal rapidamente foi possível ver um corredor de fogo que chegou depois até ao mar".

"O vento estava muito forte. Fez alastrar o fogo rapidamente e só parou no mar, porque era, naturalmente, o único local onde poderia parar", sublinha o jogador de futebol.

André Simões conta que quando chegou à Grécia uma das zonas que conheceu foi precisamente uma das áreas ardidas, junto ao mar. Foi procurar casa naquela região, nos arredores de Atenas, um lugar que diz ser muito procurado para férias pelos gregos da cidade. Uma região povoada sobretudo por famílias, uma zona tranquila e com pouca população.

A reação ao incêndio por parte da população faz recordar o que se passou em Portugal, diz André Simões. Entre as campanhas de apoio, à angariação de fundos espontâneos, até quem se voluntaria para ajudar na recuperação dos prejuízos.

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