Entrevista TSF

"A Europa tem de fazer mais" na crise dos refugiados

O diretor regional da Organização Internacional para as Migrações diz que o acordo que a União Europeia apresenta como solução para a gestão dos migrantes e dos refugiados ainda não foi discutido e exclui os países do Norte de África.

Entrevistado pela TSF, o diretor regional da Organização Internacional para as Migrações, Eugenio Ambrosi salienta o facto de os países do Norte de África não terem sido envolvidos nas discussões com a Europa, por isso, entende que a proposta anunciada pela UE é, basicamente, irrelevante.

"Ainda ninguém discutiu esse mecanismo de desembarque regional, de que se falou na semana passada e, sobre o qual, continuamos a refletir, enquanto Organização Internacional para as Migrações. Mas, continua a ser uma reflexão que não envolveu os países no Norte de África. Enquanto não acontecer, não existe uma proposta real sobre a mesa", disse.

Além do mais, Ambrosi entende que os países do Mediterrâneo Sul já dão um "contributo importante", para a gestão dos migrantes e refugiados e "não quererão substituir a União Europeia, nas suas responsabilidades de desembarcar as pessoas salvas no Mediterrâneo".

Os países do Mediterrâneo Sul manifestaram-se, entretanto, indisponíveis para a acolher as ditas plataformas de desembarque. Mas Eugenio Ambrosi considera que não se trata de falta de colaboração com a Europa.

"Depende de: 'colaborar em quê?' Os países de origem e os países de transito já estão a fazer muito, a trabalharem na reintegração socioeconómica desses que regressam. Só para a Líbia, nós, na Organização Internacional para as Migrações, ajudámos cerca de 20 mil pessoas a regressarem voluntariamente aos países de origem", afirmou.

"Temos de compreender que são números consideráveis, por causa da sobrecarga que um grande número de retornados colocam sobre a infraestrutura local, que já é frágil, em muitos países", disse.

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