Alemanha suspende Schengen e trava comboios com a Áustria

A Alemanha reintroduziu temporariamente o controlo na fronteira com a Áustria e mandou parar os comboios que circulam entre os dois países. A Comissão Europeia já disse que a decisão é legal mas espera que as fronteiras sejam reabertas rapidamente.

O anúncio oficial foi feito pelo ministro alemão do Interior. Em conferência de imprensa, Thomas de Maizere, afirmou que "a Alemanha ativou temporariamente os controlos fronteiriços com a Austria numa tentativa de reduzir o número de pessoas que pedem asilo" àquele país.

Estas medidas, explicou o ministro, "visam diminuir o fluxo de pessoas que procuram entrar na Alemanha e também permitir organizar os processos" dos refugiados que pretendem entrar no país. Thomas de Maizere justificou ainda a decisão com razões de segurança.

O controlo fronteiriço teve o apoio unânime de todos os membros do Governo liderado por Angela Merkel.

O primeiro a reagir a este anúncio foi Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia que admitiu que a decisão alemã "parece estar" dentro da legislação europeia para situações de crise e espera que a fronteira seja reaberta rapidamente. Jean-Claude Juncker afirmou ainda que medida ativada pelo governo alemão mostra a que os países têm de se pôr de acordo, de forma urgente, quanto às propostas de tratamento de refugiados e imigrantes.

Quanto aos comboios, a agência Reuters cita o porta-voz da companhia ferroviária austríaca que diz que o seu homólogo ordenou a suspensão das ligações ferroviária a partir da Áustria pelas 17:00 (16:00 em Lisboa).

O jornal alemão "Bild" tinha avançado hoje que o governo alemão ponderava reintroduzir o controlo de fronteiras, o que colocaria em causa o Acordo de Schengen que prevê uma política de abertura das fronteiras e livre circulação de pessoas entre os países signatários.

O jornal diz justamente que a primeira fronteira com a Áustria seria a primeira a ser afetada, o que acabou por acontecer. Segundo a revista "Spiegel", Berlim pretende ganhar algum tempo para lidar com o fluxo migratório.

Outros dois governantes alemães falaram hoje sobre a crise dos refugiados. Sigmar Gabriel, em entrevista ao jornal alemão "Der Tagesspiegel", afirmou que "a falta de ação da Europa sobre a crise dos refugiados está a levar a Alemanha ao limite das suas capacidades".

O ministro alemão dos Transportes Alexander Dobrindt admitiu o "fracasso completo" da União Europeia (UE) para controlar as fronteiras. "Medidas eficazes são necessárias agora para parar o afluxo" perante o "total fracasso da UE", onde "a proteção das fronteiras externas não funciona mais", escreveu num comunicado, citado pela agência AFP.

Para o ministro alemão, os "limites de capacidade" de acolhimento da Alemanha "foram alcançados" e "este sinal deve ser entendido de forma inequívoca" por outros países europeus, acrescentou Alexander Dobrindt, que é membro da ala mais conservadora da associação cristã da chanceler alemã Angela Merkel.

A Alemanha espera receber este ano um recorde de 800.000 pedidos de asilo e a capital da Baviera, Munique, porta de entrada dos refugiados, registou um sobrecarregamento de afluxo pela segunda semana consecutiva.

Cerca de 12.200 refugiados chegaram à cidade apenas no dia de sábado e alguns tiveram de dormir do lado de fora por falta de espaço nos abrigos. Um porta-voz da polícia de Munique explicou que a prioridade passa agora por "distribuir o máximo de refugiados por outras partes do país ou da Baviera, em função das capacidades de acolhimento, para poder albergar outras pessoas, pelo menos durante uma noite".

A falta de espaço na cidade também levou as autoridades a ponderarem requisitar o Estádio Olímpico, onde tiveram lugar os Jogos Olímpicos de 1972, para o alojamento temporário de refugiados.

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