Alemanha

Ameaça de rutura e crescimento da extrema-direita: seis meses de governo Merkel

Foram precisos seis meses para o formar. Meio ano depois, o governo de Angela Merkel tem sido tudo menos estável.

Os desafios começaram logo depois das eleições, em setembro do ano passado. Formar governo obrigou a vários encontros, avanços e retrocessos, cedências e até a uma demissão, a de Martin Schulz, antigo líder do SPD.

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Mas depois de entrar em funções, o governo de coligação, liderado por Angela Merkel já esteve próximo de se dissolver, depois do secretário-geral da CSU ameaçar deixar o cargo de ministro do Interior.

A escalada da extrema-direita, através de movimentos como o Pegida, ou o partido Alternativa para a Alemanha também tem agitado a Alemanha, com várias manifestações, algumas delas violentas.

Para Horst Seehofer, líder da União Social-Cristã (CSU) a "questão das migrações é a mãe de todos os problemas políticos na Alemanha." Uma declaração polémica que tem dado origem a uma onda de críticas.

"Acho que ele está a popularizar uma ideia que vai além da política atual de receber e de integrar refugiados de África ou de países árabes. Ele ataca o centro da sociedade alemã. Acho que é perigosíssimo para o futuro de uma Alemanha estável e democrática. Acho que ele está mesmo a brincar com fogo." A opinião é de Susana dos Santos Hermann, a primeira portuguesa a conquistar um lugar num parlamento regional alemão, neste caso no estado federado da Renânia do Norte-Vestefália.

O percurso político de Susana dos Santos Hermann começou cedo, quando, na Universidade de Colónia, se juntou a um grupo de jovens socialistas. Começou a atividade política nos anos 80 e em 1990 entrou para o SPD. A partir daí assumiu "vários cargos dentro do partido a nível local".

"Estou convicta que os principais problemas na Alemanha não são económicos. Eles existem seguramente mas também há um sentimento de que não existe alternativa política, e isso deixou crescer uma alternativa da extrema-direita, não só no parlamento em Berlim, mas nos parlamentos regionais, nas ruas, nas estradas, em debates e em manifestações", sublinha Susana dos Santos Hermann.

Depois das eleições legislativas de 2017 e de meio ano de instabilidade política, o SPD acabou por aceder a formar novamente uma Grande Coligação com a CDU e a CSU. Não sem antes perder o líder, Martin Schulz, e sujeitar-se a um referendo interno.

"No meu estado houve um grupo de deputados da assembleia regional que se posicionaram contra a entrada na coligação. Eu também. Porque considero que temos que dar vida à democracia e por isso também mostrar que há diferenças entre os conservadores da CDU e CSU e o SPD . Entretanto houve um referendo dentro do partido, a maioria disse que queria entrar na coligação e eu não vou trabalhar contra uma decisão democrática.", revela Susana dos Santos Hermann.

Nas eleições legislativas de 24 de setembro de 2017, a CDU de Angela Merkel e a aliada União Social-Cristã (CSU) da Baviera conquistaram 33% dos votos, menos que os 41,5% conseguidos há quatro anos. O Partido Social-Democrata (SPD) ficou atrás, com 20,5%, abaixo dos 25,7%. A Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistou 12,6% dos votos. O governo foi formado a 14 de março deste ano.

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