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Barnier pede à Europa que seja "proativa" e olhe para o Brexit como uma lição

Negociador-chefe revela que alguns cidadãos do Reino Unido se sentiram "abandonados e excluídos", alegando que a Europa não os protegeu o suficiente.

O negociador-chefe da UE para o 'Brexit' disse esta quinta-feira que "a Europa tem de ser proativa" e alertou para a necessidade das regiões e cidades verem naquele processo de saída do Reino Unido uma "lição".

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Michel Barnier, que falava em Bucareste, na Roménia, no âmbito da 8.ª Cimeira Europeia das Regiões e dos Municípios, deu concelhos aos dirigentes regionais e locais presentes, apontando ter percebido que alguns cidadãos britânicos se sentiram "desprotegidos e abandonados".

"Ao longo das muitas conversas que tive com várias pessoas e em muitos locais, percebi que há o sentimento de que a Europa não está a fazer suficiente. Alguns dos cidadãos do Reino Unido sentiram-se abandonados e excluídos, sentiram que a Europa não os protegeu suficientemente", disse, dando como exemplos assimetrias em matéria de transportes públicos e tecnologias ou acesso à Internet.

E, partindo desta análise, aconselhou: "Os atuais líderes e futuros tem de perceber este sentimento e trabalhar numa mudança. A Europa precisa de ser proativa. Uma das razões para o 'Brexit' é o sentimento de desproteção".

Antes, Barnier confessou ser um "grande fã" do Comité das Regiões por considerar, disse, que "quanto mais próximo se estiver das pessoas, mais se pode fazer por elas e na melhoria do seu dia a dia".

Voltando ao 'Brexit', o negociador-chefe da UE partilhou uma conversa que teve com o eurodeputado britânico Nigel Farage, um eurocético.

"Perguntei-lhe como veria a futura relação UE e Reino Unido. E ele disse-me depois do 'Brexit' a UE não vai continuar a existir", referiu, acrescentando que "esta é a convicção de muitos outros" pelo que é necessária "atenção".

Barnier vincou que o "'Brexit' é uma lose-lose' situação", ou seja, uma ocorrência na qual, do seu ponto de vista, "ninguém ganha", mas salientou, várias vezes, que "a decisão dos britânicos tem de ser respeitada".

"Não haverá nunca um espírito de vingança ou de punição (...) Precisamos de organizar a parceria [com o Reino Unido] de forma diferente. O Reino Unido continuará um aliado, parceiro e amigo. Temos de continuar solidários. Temos de construir com o Reino Unido uma amizade sólida para as futuras gerações", defendeu.

Outra das ideias muito frisada numa intervenção que acabou minutos antes de se ficar a saber que o parlamento britânico aprovou hoje, por maioria clara, um adiamento da saída do Reino Unido da UE, tendo como opção uma extensão curta de três meses ou um prolongamento maior, o negociador-chefe reafirmou a ideia de que o risco de uma saída desordenada nunca foi tão elevado.

"Temos de estar preparados para um não acordo e não podemos subestimar as consequências desta situação", afirmou.

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