Tusk pede a Reino Unido para não "desperdiçar" nova extensão do prazo do Brexit

Visivelmente desgastado, e até hesitante, após uma maratona negocial de quase oito horas, o político polaco não escondeu ter ficado parcialmente desiludido com o desfecho, reconhecendo, no entanto, que é sempre melhor ter algo do que "uma mão cheia de nada".

O presidente do Conselho Europeu pediu esta quinta-feira ao Reino Unido para não desperdiçar esta nova oportunidade, mas não excluiu taxativamente a possibilidade de o processo não estar finalizado em 31 de outubro, a nova data para o Brexit.

"Esta extensão é tão flexível como eu esperava, mas mais curta do que esperava, mas ainda assim suficiente para encontrar a melhor solução possível. Por favor, não desperdicem este tempo suplementar", instou Donald Tusk, em conferência de imprensa, em Bruxelas, após a conclusão da cimeira europeia extraordinária dedicada a uma nova prorrogação da data do Brexit.

União Europeia e Reino Unido acordaram esta quarta-feira uma nova data limite para o Brexit, com os 27 a concederem a Londres uma extensão até 31 de outubro, uma data que a primeira-ministra britânica aceitou.

Para o presidente do Conselho Europeu, que pretendia uma extensão flexível do Artigo 50.º até um ano, o Reino Unido ganhou seis meses adicionais para definir internamente o seu destino.

"Ainda pode ratificar o Acordo de Saída, prazo em que a extensão terminará. Pode reconsiderar toda a estratégia do Brexit, o que poderá conduzir a alterações na Declaração Política, mas não no Acordo de Saída. Até ao fim deste período, o Reino Unido terá a possibilidade de revogar o Artigo 50.º e cancelar o Brexit", enumerou.

Visivelmente desgastado, e até hesitante, após uma maratona negocial de quase oito horas, o político polaco não escondeu ter ficado parcialmente desiludido com o desfecho, reconhecendo, no entanto, que é sempre melhor ter algo do que "uma mão cheia de nada".

"Mais de seis meses pode ser suficiente para uma boa solução, se houver boa vontade e uma maioria na Câmara dos Comuns. Genericamente, estou satisfeito. As preparações demonstraram que esta ideia de uma solução flexível não era óbvia para os nossos parceiros. Por isso, não estou contente, estou satisfeito", pontuou.

A intenção dos 27 é terem o processo da saída do Reino Unido do bloco comunitário concluída em 31 de outubro, na véspera da entrada em funções da nova Comissão Europeia, confirmou Tusk, que não excluiu um eventual novo adiamento.

"Sou demasiado velho para excluir qualquer cenário. Tudo é possível", completou.

O presidente do Conselho Europeu referiu-se ainda ao termo "cooperação sincera", inscrito nas conclusões da cimeira extraordinária dedicada ao 'Brexit, que de acordo com a UE deverá reger o comportamento de Londres durante este novo período de extensão.

"O Reino Unido continuará uma cooperação sincera como um Estado-membro de pleno direito, com todos os seus direitos e como um amigo próximo e aliado no futuro. Cooperação sincera significa cooperação sincera e só temos boas experiências com a Governo da primeira-ministra Theresa May no que diz respeito à lealdade pelas nossas regras e princípios aqui em Bruxelas", vincou.

O político polaco esclareceu que a intenção dos 27 ao introduzir aquele termo nas conclusões foi a de ter "alguma garantia política de que o Reino Unido não vai usar nenhum tipo de bloqueio ou truques políticos" para comprometer o trabalho das instituições europeias ou usar a extensão como "instrumento político para impor algo".

A preocupação relativamente a um eventual bloqueio britânico ficou também acautelada no ponto 3 das conclusões do Conselho Europeu, que estabelece que "a extensão não poderá ser usada para prejudicar o funcionamento normal da União e das suas instituições", e que 'obriga' o Reino Unido a organizar eleições europeias caso o parlamento britânico não aprove o Acordo de Saída até 22 de maio, sob pena daquele país sair da UE sem acordo em 01 de junho.

"Eu realmente confio no que a primeira-ministra May disse hoje e não tenho dúvidas que este termo, cooperação sincera, será tratado seriamente", defendeu.

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