China e Alemanha unem-se contra Trump

A China e a Alemanha devem salvaguardar o sistema e ordem internacionais, defende o Primeiro-ministro chinês.

O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, propôs à chanceler alemã, Angela Merkel, que a China e Alemanha desempenhem um papel estabilizador na economia mundial, "em momentos de incerteza", avançou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

"China e Alemanha devem fortalecer a cooperação através do comércio e da liberalização dos investimentos", visando "salvaguardar conjuntamente o sistema e ordem internacionais existentes", defendeu hoje Li, durante uma conversa por telefone com Merkel.

O primeiro-ministro chinês disse ainda que Pequim está "muito preocupado" com a situação na Europa, numa alusão à saída do Reino Unido da União Europeia.

A China "apoiará firmemente, como sempre, a integração europeia" e espera que a Europa se "mantenha estável e próspera", disse.

O diálogo entre os dois líderes surge num momento em que vários países ocidentais são atingidos por uma tendência protecionista, evidenciada pelo 'Brexit' e a chegada de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos.

Após Trump ter anunciado na segunda-feira a saída do Acordo de Associação Transpacífico (TPP), Pequim defendeu soluções alternativas de integração para a região Ásia Pacífico, mantendo um discurso pró-globalização.

Li Keqiang afirmou hoje num artigo de opinião difundido pela agência Bloomberg que a China continua comprometida com o comércio bilateral.

"A China continua decididamente a favor da Organização Mundial do Comércio e dos tratados de comércio livre desenhados para serem inclusivos", afirmou.

"A globalização permitiu a criação e geração de riqueza a uma escala sem precedentes", disse.

Horas depois de Trump ter aprovado a construção de um muro na fronteira com o México, Li afirmou que "é preferível que os países façam comércio de produtos e serviços, e se associem através de investimentos, em vez de trocarem insultos e construírem barreiras".

Os observadores têm defendido que a China poderá assumir um papel mais ativo na economia mundial, caso Trump insista em políticas económicas protecionistas.

Na semana passada, o Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu a globalização e o livre comércio, durante o Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça.

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