Cortes no orçamento na Proteção Civil da Grécia? Bruxelas rejeita responsabilidade

Imprensa italiana aponta redução de 34 milhões de euros "entre pessoal e viaturas."

A Comissão Europeia negou hoje que a austeridade tenha atingido a área da prevenção e socorro em incêndios florestais, depois da imprensa italiana relatar que "só na primavera", os cortes atingiram os 34 milhões de euros "entre pessoal e viaturas".

Questionado sobre se os cortes que atingiram a administração pública grega, durante os sucessivos programas de ajustamento económico e financeiro, também chegaram à Proteção Civil, um porta-voz da Comissão assegura que, tanto o orçamento como o número de bombeiros, se mantiveram estáveis.

O porta-voz da Comissão Europeia para os Assuntos Económicos e Financeiros, Christian Spahr descarta, por isso, qualquer responsabilidade das instituições, em relação a uma eventual quebra da capacidade de resposta da Proteção Civil, num dos países sob programa.

"Enquanto as instituições negociaram o conjunto dos objetivos orçamentais com as autoridades gregas, no contexto do programa de estabilidade, a adjudicação dos recursos orçamentais, incluindo para os serviços de emergência, continua a ser uma responsabilidade das autoridades gregas", disse o porta-voz.

"O orçamento do Ministério da Administração Interna, [responsável] pela proteção civil, permanece, na realidade, relativamente estável desde 2010. O orçamento alocado aos bombeiros, até aumentou ligeiramente, entre 2010 e 2018", garantiu enquanto lia um texto, no qual afirma que também que "número de bombeiros permaneceu estável desde 2011 até 2018. Os bombeiros estão, na verdade, excluindo da regras de restruturação, que está em prática, para o resto da administração publica".

"Frutos" da austeridade?

A imprensa Italiana dá hoje conta que só em 2017, os cortes na vigilância florestal e na prevenção ascendem aos 34 milhões de euros. Mas, Bruxelas descartou-se dessa responsabilidade.

O jornal Corriere della Sera escreve que "apenas na última primavera, a área da proteção contra incêndios perdeu 34 milhões de euros entre pessoal e viaturas".

O texto em que se apontam "cortes na Protecção Civil no pacote de Austeridade", o jornal garante que há agora "menos e menos bombeiros e em condições físicas precárias"

Fim da austeridade

Muito recentemente, em Bruxelas enalteceu-se a "coragem", dos gregos, do governo de Atenas, num rol de elogios, a quem nem a troika escapou, por ter desenhado um programa que "dá frutos".

A expressão repetida sucessivas vezes pelo comissário dos Assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici viria a ser glosada pelo primeiro-ministro grego, no dia em que o eurogrupo, já liderado pelo português Mário Centeno, se preparava para dar luz verde à conclusão do programa.

"Estamos perto do momento de colher os frutos de anos de sacrifícios e esforços difíceis", disse na altura o primeiro-ministro Alexis Tsipras. Os gregos estão há oito anos de cinto apertado, a troco de três resgates de mais de 260 mil milhões de euros, que empurram a dívida até quase 180 por cento do PIB da Grécia. O programa grego fica concluído a 20 de Agosto.

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