"Deixem-nos viver livremente no nosso próprio país"

O embaixador da Palestina em Portugal deixa o apelo à comunidade internacional, no dia em que os Estados Unidos inauguram a embaixada em Jerusalém. Nabil Abuznaid acredita que a decisão põe em causa qualquer tentativa de paz.

Donald Trump entregou algo que não era dele, a cidade de Jerusalém, a quem não o merecia. O embaixador da Palestina em Portugal defende que a decisão do presidente norte-americano de transferir a embaixada em Israel de Telavive para Jerusalém prejudicou gravemente qualquer tentativa de paz.

"O que o Trump fez foi dar algo que não era dele a pessoas que não o mereciam. Ele deu Jerusalém, a terra da Palestina. É reconhecido pela comunidade internacional que essa é a capital do estado palestiniano. Durante a campanha, o sr. Trump decidiu agradar aos eleitores judeus americanos anunciando a mudança da embaixada".

Em entrevista à TSF, Nabil Abuznaid considera que Trump comprometeu irremediavelmente qualquer acordo. "Nós pensamos que ele prejudicou o processo de paz. Hoje não há negociações, não há conversas sobre isso e pensamos que o Sr. Trump pode fazer muito melhor para aproximar israelitas e palestinianos, para ajudar o processo de paz a avançar. Infelizmente ele seguiu outro caminho, mudando a embaixada americana para Jerusalém e reconhecendo a cidade como capital do estado de Israel", defende.

A administração Trump vai apresentar em breve o célebre plano de paz para a região, mas o diplomata considera que, com a questão de Jerusalém, colocada de lado não há qualquer hipótese de sucesso.

"O mal já está feito", defende Nabil Abuznaid. "Não sabemos que tipo de proposta de paz vai fazer se Jerusalém está fora de discussão. Ele pode dizer que fala de outras coisas mas não de Jerusalém mas para nós não há estado palestiniano sem Jerusalém e por isso a proposta que ele vai fazer já está morta antes de nascer".

Quanto ao Dia da Ira apoiado pela autoridade palestiniana, o embaixador da Palestina em Portugal explica que é um pedido de ajuda de quem está farto da ocupação e não quer ser deixado para trás. Nabil Abuznaid adianta ainda que os palestinianos não temem a resposta de Israel porque já não têm alternativas.

"O que é que as pessoas podem fazer quando estão debaixo de ocupação? O mínimo que podem fazer é manifestar-se pacificamente. As pessoas às vezes têm de lutar pela liberdade, ela não lhes é dada de mão beijada. Têm de lutar, têm de fazer tudo o que é possível. A história mostra-nos que os ocupantes nunca saem voluntariamente... têm de ser forçados. A ocupação tem de custar caro para que os ocupantes pensem nas pessoas que oprimem", afirma. "As pessoas querem dizer à comunidade internacional que nós não devemos ser esquecidos, que a ocupação deve terminar".

Em entrevista à TSF, Nabil Abuznaid deixa um apelo. "Nós estamos a sofrer e não podemos aceitar que o mundo só assista a esse sofrimento. Os palestinianos estão a dizer 'Por favor...não nos deixem para trás. Deem-nos a nossa liberdade e dignidade. Não apoiem a ocupação; apoiem a liberdade dos palestinianos. Deixem-nos viver livremente no nosso próprio país, na nossa terra com dignidade'. É um apelo à comunidade para não nos esquecer".

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