EUA

Democratas acusam Trump de alimentar intolerância e racismo

Os EUA estão a ser palco de várias manifestações de supremacistas.

A líder democrata na Câmara de Representantes norte-americana, Nancy Pelosi, acusou este domingo o Presidente, Donald Trump, de "alimentar o fogo da intolerância e do racismo", um ano após a marcha de supremacistas brancos em Charlottesville, onde morreram três pessoas.

"Desde o princípio, o Presidente mostrou um desdém total pelos nossos valores e alimentou o fogo da intolerância e do racismo", afirmou Pelosi, líder da minoria democrata na Câmara de Representantes, num comunicado.

"A administração [de Donald Trump] transformou a intolerância do Presidente numa agenda vergonhosa e intolerante que provocou uma 'marcha-atrás' no incrível progresso que tínhamos alcançado para consumar a promessa de igualdade e oportunidades na nossa nação", referiu.

Trump condenou este sábado, numa mensagem divulgada no Twitter, "todo o tipo de racismo" e instou os norte-americanos a unirem-se "enquanto nação".

Esta mensagem do chefe de Estado norte-americano contrasta com as controversas declarações que fez, há quase um ano, quando responsabilizou pela violência tanto os grupos neonazis como os manifestantes de esquerda que protestaram em Charlottesville, assegurando que havia pessoas "muito boas" entre os supremacistas.

Sem mencionar Trump, o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, recordou a tragédia de Charlottesville e Heather Heyer, a manifestante que morreu quando um neonazi avançou com o seu veículo sobre uma multidão que participava numa contramarcha antirracista.

"Hoje cumpre-se um ano da trágica marcha supremacista branca em Charlottesville, quando Heather Heyer foi assassinada. Como a sua mãe disse, o seu legado é um apelo à ação. O ano passado serve para nos recordar que devemos estar atentos e unidos para derrotar o ódio e o fanatismo", disse Schumer, através do Twitter.

Susan Bro, mãe da vítima, criou uma fundação para dar bolsas a jovens ativistas, com a qual procura manter "viva" a mensagem da sua filha, disse hoje à agência espanhola, Efe.

O antecessor de Donald Trump, Barack Obama (2009-2017), não comentou o aniversário da marcha, mas o seu vice-presidente, Joe Biden, pediu uma homenagem a Heyer.

"Hoje honramos a memória de Heather Heyer, cujo espírito vemos em cada pessoa que se mobiliza para recusar o ódio e o fanatismo. Não se enganem: esta luta continua. A batalha pela alma desta nação é responsabilidade de cada um de nós, todos os dias", escreveu Biden, também no Twitter.

A capital dos Estados Unidos será hoje cenário da marcha neonazi "Unir a direita" e de outros protestos antirracismo, convocados por grupos de esquerda.

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