"Determinámos que queremos uma saída limpa"

Os ministros das Finanças reúnem-se esta quinta-feira no Luxemburgo. A Grécia volta a ser o tema principal.

A menos de dois meses do fim do programa de resgate, o governo Grego espera ouvir hoje o presidente do Eurogrupo, Mário Centeno a anunciar medidas para alívio do peso da dívida. Atenas dará conhecimento do andamento do último pacote de reformas, no âmbito do programa de ajustamento económico e financeiro.

Ouvido em Bruxelas, pela TSF, o ministro grego da Economia, Alexis Charitsis confessa que nos últimos meses tem analisado os casos de Portugal e da Irlanda, para tentar perceber qual poderá ser o futuro da Grécia, depois do programa.

"O que aconteceu na Irlanda, o que aconteceu em Portugal? [Saber isso] para nós é muito importante, porque estamos a entrar - não exatamente na mesma - mas numa fase similar. E, vimos que tinham um plano para o dia seguinte, nesses países. E, nós queremos fazer alguma coisa semelhante", afirmou, garantindo que o primeiro passo, para seguir o exemplo dos dois países, é evitar um programa cautelar.

"Determinámos claramente que queremos uma saída limpa. E, para o conseguirmos, criámos uma almofada financeira, para termos condições de regresso aos mercados, sem preocupação com qualquer turbulência, que possa ocorrer nos mercados internacionais, nos próximos meses", disse o governante, assumindo que do ponto de vista de Atenas, é tempo para virar a página.

"Menos austeridade e mais reformas amigas do crescimento. Este é o nosso principal objetivo. Penso que qualquer um, na Europa, concorda que este é o único caminho a seguir", defendeu, esperando que esse modelo também possa ser apoiado e reconhecido "por todos".

"Isso é muito importante. Na verdade, um grande passo em frente. Tal como aconteceu em Portugal, na Grécia as pessoas estão fartas da austeridade. E, na verdade, a austeridade transformou-se num fardo para o crescimento económico", afirmou.

O programa grego fica concluído, daqui a menos de dois meses, a 20 de agosto. Os gregos estão há oito anos de cinto apertado, a troco de três resgates de mais de 260 mil milhões de euros, que empurram a dívida até quase 180 por cento do PIB da Grécia.

Questionada em Bruxelas pela TSF, também a ministra grega do Trabalho e Segurança Social, Effie Achtsioglou quer que o país mude de ciclo.

"Acredito que podemos dizer que estamos a aproximar-nos do fim da austeridade nesta altura, no sentido em que atualmente estamos a sair do programa. Então a consolidação orçamental está terminada. Claro que os objetivos do superávit primário, em 2022, limitam o que nós podemos fazer e o que não podemos fazer", reconhece, consideram porém que "o período de austeridade severa, no país, está a chegar ao fim".

Effie Achtsioglou também afirma que o executivo grego está de olhos postos em Portugal, assumindo que o governo do Syriza se inspira na política seguida pelo governo português até em relação à política salarial que quer aplicar a partir de 20 de agosto, em Atenas.

"Atualmente, temos dois pilares, na nossa política. O primeiro é restabelecer os acordos coletivos, o que acontecerá em agosto deste ano. Isto irá permitir aos salários continuarem a crescer. Em segundo [lugar] é assegurar um aumento cauteloso do salário mínimo, depois da saída do programa", disse, apontando do modelo português.

"Planeamos seguir o paradigma de Portugal, que avança com aumentos sucessivos, mas pequenos aumentos, todos os anos. E, parece que essa é uma boa receita para seguir, uma vez que nunca afeta a taxa de desemprego", frisou.

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