Derrota pesada. Parlamento britânico chumba acordo do Brexit e moção de censura avança

A votação arrancou às 19h00 e May precisava de 318 votos a favor para levar o acordo avante. O acordo teve apenas 202 votos a favor e 432 contra, uma diferença de 230 votos. Os trabalhistas anunciaram que vão avançar com uma moção de censura ao Governo.

Os deputados do Parlamento britânico votaram, esta terça-feira, contra o acordo assinado entre Theresa May e a União Europeia para o Brexit. A votação arrancou às 19h00 e May precisava de 318 votos a favor para levar o acordo avante, conseguindo apenas 202.

Antes da votação final, os deputados britânicos votaram a emenda que dá ao Reino Unido o poder de terminar o backstop sem a permissão da União Europeia - a única das quatro debatidas que foi a votação. A emenda foi chumbada na Câmara dos Comuns por 600 votos contra 24.

Os trabalhistas revelaram, entretanto, que vão avançar com uma moção de censura, pouco depois de Theresa May afirmar estar disponível para discutir uma moção de censura, caso a oposição a apresentasse, já esta quarta-feira.

"O voto de hoje não é sobre o que é melhor para o líder da oposição é sobre o que é melhor para o país", disse Theresa May no final do debate e momentos antes da votação, referindo que uma saída sem acordo não foi aquilo "em que os britânicos votaram"

A primeira-ministra britânica defendeu que um segundo referendo daria origem a "mais dois meses de incerteza e divisões".

May garantiu que, independentemente do que possa acontecer, o governo britânico vai honrar o acordo de Belfast: "Este não é um compromisso que fazemos com a UE, mas sim com o povo da Irlanda do Norte." A primeira-ministra rejeita, portanto, a definição de uma data limite para a aplicação do mecanismo de salvaguarda "backstop".

Em relação à oposição. Theresa May sublinhou a falta de uma alternativa ao acordo assinado com a União Europeia e acusou Corbyn de estar apenas focado "em continuar com a disrupção para chegar a eleições antecipadas".

Antes da votação, os deputados debateram quatro emendas ao documento, na Câmara dos Comuns, em Westminster, no coração da capital britânica. Nenhuma destas emendas prevê um segundo referendo. Só uma das quatro emendas foi a votos: aquela que dá ao Reino Unido o poder de terminar o backstop sem a permissão da União Europeia.

O procurador-geral do Reino Unido avisou esta tarde os deputados que qualquer acordo de saída da União Europeia será semelhante ao atual e terá de ser novamente submetido ao parlamento.

Geoffrey Cox sublinhou que uma saída ordenada exigirá sempre um acordo e um mecanismo de salvaguarda na fronteira da Irlanda.

Como explica a CNN , a emenda A proposta pelo líder do Labour, Jeremy Corbyn- pedia a rejeição do acordo e que se "esgotem todas as opções" para para impedir que o Reino Unido saia da UE sem acordo.

A emenda K, do Partido Nacionalista Escocês em Westminster, também rejeitava o acordo, pedindo que o Parlamento britânico "respeite a vontade" do Parlamento escocês e da Assembleia galesa.

Na terceira emenda (B) o conservador Edward Leigh, lembrava que o mecanismo de salvaguarda para a fronteira da Irlanda (backstop) é temporário e que o mesmo deve acabar até 1 de janeiro de 2022.

Noutro plano, a última emenda -do conservador John Baron - abria a possibilidade de o Reino Unido acabar com o backstop sem o acordo da União Europeia.

Jeremy Corbyn do Labour, Ian Blackford do Partido Nacionalista Escocês (SNP) e Sir Edward Leigh acabaram por não levar as suas emendas a votação.

Depois do voto desta tarde o governo tem três dias para apresentar novas alternativas aos deputados. Entre elas, a possibilidade de Theresa May voltar a apresentar o acordo ao parlamento ou adiar a data de saída. A BBC explica os cenários possíveis.

(Notícia atualizada às 20h03)

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