"Documentos do Panamá": ainda é só o início

Os documentos que começaram a ser revelados este domingo mostram como centenas de personalidades usam paraísos fiscais para fugir ao fisco. Na lista há políticos, empresários e jogadores de futebol.

O Ministério Público do Panamá decidiu abrir uma investigação por causa das revelações de documentos por parte do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (International Consortium of Investigative Journalists).

Os "Documentos do Panamá" ("Panama Papers"), como são conhecidos, revelam um sistema legal de construção de empresas para fugir ao fisco em mais de 200 países ou territórios de todo o mundo.

Os documentos, que começaram a ser revelados este domingo, envolvem mais de 200 mil empresas e 140 políticos, entre os quais 12 atuais ou antigos chefes de Estado ou de Governo. O nome de Vladimir Putin é o mais sonante, mas o rei saudita, o presidente sírio, e o primeiro-ministro da Islândia também aparecem nesta lista.

Ramon Fonseca, sócio fundador da Mossack Fonseca, a sociedade de advogados que está no centro deste turbilhão, diz que não houve ilegalidades por parte da empresa. Em declarações ao canal de televisão do Panamá TVN Noticias, Ramon Fonseca lembra, no entanto, que não pode responsabilizar-se pelo que fizeram os clientes, considerando esta investigação "um crime e um ataque".

Ramon Fonseca garante que a Mossack Fonseca não cometeu nenhuma ilegalidade

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Para Fonseca, de 64 anos, "há duas maneiras de ver o mundo. A primeira é ser competitivo e a segunda criar mais impostos". "Há uma guerra entre os países abertos, como o Panamá, e os países que cobram cada vez mais impostos às empresas e cidadãos", declarou.

Os "Documentos do Panamá" fazem parte de uma investigação conduzida ao longo de um ano pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação e agora revelada por mais de uma centena de outros órgãos de comunicação social.

O diretor do Expresso diz que são mais de 11 milhões de documentos que incluem transações e emails

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Em Portugal, o semanário Expresso teve acesso direto aos documentos. O diretor Pedro Santos Guerreiro explicou à TSF no que é que consistem os "Panama Papers".

Para já, só há um nome português, que parece ser também figura no processo Lava Jato. Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira é um empresário do norte do país, que aparece ligado a empresas de exploração de petróleo para a Petrobras.

Pedro Santos Guerreiro confirma que há mais portugueses envolvidos

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Pedro Santos Guerreiro revelou à TSF que haverá mais portugueses nestes "Documentos do Panamá", que serão revelados mais tarde.

Na Islândia esta investigação já está a ter impacto. No domingo, pouco depois de conhecidos os primeiros dados e a relação do primeiro-ministro, a oposição tratou de pedir a demissão imediata do governante.

Sandra Fernandes considera que o impacto vai ser muito personalizado

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A investigadora Sandra Fernandes, da Universidade do Minho, não tem dúvidas que um caso com estes contornos tem obrigatoriamente de produzir consequências políticas.

Também na Austrália, depois da divulgação dos "Documentos do Panamá" as autoridades estão a investigar 800 cidadãos por possíveis evasões tributárias, alegadamente envolvidos em esquemas de corrupção com 'offshores', divulgada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação.

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