Internacional

Corrupção, Lava-Jato, aborto e Jesus Cristo. As eleições no Brasil em debate

Falou-se de tudo no debate da TV Bandeirantes, que há 30 anos marca o arranque da campanha eleitoral no Brasil.

"Nas mais imprevisíveis eleições da história do país", como reforçou o moderador Ricardo Boechat, oito candidatos enfrentaram-se pela primeira vez, ao longo de três horas, e com mais de 60 perguntas, ora feitas por jornalistas, ora pelos próprios adversários uns aos outros.

E a primeira conclusão é que além de Jair Bolsonaro, o capitão do exército do Partido Social Liberal (PSL), conotado com a extrema-direita, outros candidatos se mostraram craques nas frases de efeito.

Desde logo o próprio Bolsonaro, líder das sondagens, para quem "o bandido brasileiro continua muito bem armado, enquanto o cidadão de bem não pode comprar uma arma livremente".

A seu lado, o Cabo Daciolo, do Patriotas, outro militar de direita, anunciou que "vai pegar os corruptos, em nome do senhor Jesus".

Guilherme Boulos, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), de extrema-esquerda, acusou Bolsonaro de ser "machista e homofóbico".

"Não vou discutir com desqualificado", reagiu Bolsonaro, irritado com Boulos, que é próximo do antigo presidente Lula da Silva.

Boulos, aliás, começou o debate dizendo "boa noite a Lula, que está preso injustamente em Curitiba enquanto Temer anda solto em Brasília".

Não participou Lula, que em carta se disse vítima de censura, nem Fernando Haddad ou Manuela D"Ávila os candidatos a substituí-lo. Em retaliação, Haddad e Manuela fizeram um debate, a dois, nas redes sociais.

Além das controvérsias, falou-se de economia. Álvaro Dias, do Podemos, de direita, até citou Portugal, elogiando-lhe a política bancária de apenas 16% ao ano de juros por oposição à, disse, "exploração" dos bancos do Brasil.

Henrique Meirelles, que foi ministro das Finanças até este ano e concorre pelo Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), teve de se defender de ter pertencido ao super-impopular governo Temer.

Ciro Gomes, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), de centro-esquerda, e Geraldo Alckmin, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), de centro-direita, discordaram sobre as reformas laboral e da segurança social.

A candidata da Rede, a ambientalista Marina Silva, por sua vez, acusou os membros da "velha política" de acumularem condenações superiores a 500 anos. "Mais do que o descobrimento do Brasil".

No final, como de costume, venceram todos, de acordo com os seus staffs. Segundo a internet, o candidato Bolsonaro foi o mais procurado, seguido de Ciro Gomes.

A primeira volta das eleições presidenciais no Brasil acontece a 7 de outubro.

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