surto mortal

Centenas de refugiados entram no Uganda e aumentam preocupações sobre Ébola

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 600 casos de Ébola, transmitido através do contacto direto com fluidos de alguém infetado, foram registados, com mais de 360 mortes confirmadas desde agosto, naquele que é o segundo surto mais mortal da história.

Centenas de refugiados estão a entrar no Uganda, provenientes da República Democrática do Congo (RDCongo), nos dias seguintes às conturbadas eleições presidenciais daquele país, aumentando as preocupações sobre uma possível disseminação do Ébola, afirmou esta quarta-feira a Cruz Vermelha.

A porta-voz da Cruz Vermelha no Uganda, Irene Nakasiita, afirmou que os refugiados começaram a tentar atravessar a fronteira logo após as eleições de domingo e que, desde então, estão a chegar às dezenas.

"Alguns congoleses que estavam a tentar atravessar a fronteira foram forçados a recuar depois de resistirem aos esforços das autoridades de saúde do Uganda para rastrear as pessoas devido à epidemia de Ébola", salientou.

O Governo da RDCongo impediu cerca de um milhão de eleitores de votarem do nordeste do país devido ao Ébola, uma decisão que originou vários protestos, com pessoas a vandalizarem instalações de ajuda no combate à epidemia, obrigando alguns grupos humanitários de ajuda a suspenderem o seu trabalho.

A internet foi cortada na RDCongo numa alegada tentativa do Governo de evitar especulações sobre os resultados eleitorais de domingo, com a oposição e os observadores a relatarem vários problemas durante as eleições.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 600 casos de Ébola, transmitido através do contacto direto com fluidos de alguém infetado, foram registados, com mais de 360 mortes confirmadas desde agosto, naquele que é o segundo surto mais mortal da história.

O chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, referiu que a epidemia tem sido difícil de controlar devido à violência armada, "que tem aumentando de intensidade" e aos protestos da comunidade.

"Ainda assim temos razões para ter esperança que o surto seja controlado o mais rápido possível", defendeu, alertando que a "insegurança prolongada" na RDCongo pode originar um aumento de casos de Ébola.

Mais de 50.000 pessoas receberam uma vacina experimental, com Tedros Adhanom Ghebreyesus a referir que já foi solicitado ao fornecedor "que produza mais".

Alguns dos casos de Ébola foram registados perto da fronteira com o Uganda, o que levou as autoridades a submeterem a um rastreio obrigatório todos os que passem na fronteira.

Mais de 39 milhões de congoleses foram chamados às urnas no domingo para escolher o sucessor do Presidente, Joseph Kabila, obrigado pela Constituição e pela opinião pública a não se recandidatar, e também os deputados nacionais e provinciais de 75.781 colégios eleitorais.

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