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Era uma vez vários pontos pretos no céu brasileiro. E estão a caçar

A visão pode deixar qualquer um confuso, principalmente porque é difícil de imaginar - quanto mais de perceber - para o que se está a olhar.

O que são vários pontos pretos, aparentemente no céu, depois de um dia quente no sudeste do Brasil? Não, não são pássaros. Também não são mosquitos. São mesmo aranhas.

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É um fenómeno raro e tão curioso para quem o vê ao vivo como para quem o observa em vídeo, mas tem uma explicação: na zona sul do estado de Minas Gerais, no Brasil, uma autêntica teia de aranha(s) gigante cobriu grande parte da quinta dos avós de João Pedro Martinelli Fonseca, o incauto autor do vídeo em que este fenómeno ficou registado.

O fenómeno é mesmo conhecido como "chuva de aranhas" e é classificado pelos biólogos como "típico" desta região após dias quentes e húmidos. A reação de Martinelli, registada por um jornal local, foi a que muitas outras pessoas devem ter ao deparar-se com este fenómeno: estava "espantado e assustado", algo que se agravou quando uma das estrelas de oito patas entrou para o interior do carro em que o entrevistado seguia.

A avó Jercina, dona da quinta em questão, disse a um outro jornal que "havia muito mais teias do que aquelas que se veem no vídeo. Já vimos isto mais vezes, sempre ao pôr-do-sol de dias mesmo muito quentes."

Este mesmo fenómeno já foi registado em 2013, quando vários residentes de Santo Antônio da Platina, também no sul do Brasil, correram às cabines telefónicas para relatar episódios de "chuva de aranhas".

Ora, acontece que este fenómeno não está, de todo, relacionado com aranhas que caem do céu, mas sim com teias gigantes que as próprias constroem. Citado pelo The Guardian , Adalberto dos Santos, professor de biologia especialista em aracnologia na Universidade Federal de Minas Gerais explica que este é um mecanismo usado pelas aranhas da espécie parawixia bistriata para caçar.

Esta é uma espécie rara, "social" e a teia comunitária que constrói é tão fina que se torna quase impossível de observar a olho nu, o que acaba por criar a ilusão de que as aranhas estão a flutuar.

Durante o dia, estas aranhas formam um ninho - uma bola gigante - na vegetação. Quando o dia está a chegar ao fim, emergem e constroem a tal teia gigante, apoiada em árvores e arbustos, explica o professor. Cada teia pode ter até quatro metros de comprimento e três de espessura.

Ao amanhecer, consomem quaisquer presas que tenham apanhado durante a noite: normalmente são pequenos insetos, mas chegam a apanhar aves pequenas. Depois, voltar a esconder-se na vegetação.

No que diz respeito ao fenómeno - e apesar de poder assustar os mais sensíveis - os humanos nada têm a temer. O veneno desta espécie não é perigoso para o Homem e a mordidela destas "engenheiras" causa pouco mais que o desconforto de uma picada de formiga vermelha. Mais ainda, explica o professor, as teias gigantes ajudam a controlar os mosquitos e moscas que geralmente emergem durante as noites quentes.

"Fazem-nos muito mais bem do que mal", defendeu.

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