Crónica Acontece no Brasil

Estilista deixa de ser gay. Acabou com a maldição da tia

Numa entrevista tragicómica, Ronaldo Ésper, convertido à IURD, anunciou o fim da sua homossexualidade e disse que esta se devia à maldição de uma tia.

No ano passado, o Brasil estava, como todo o mundo, em 2018. Este ano, está em 1819, a julgar pela ala mais ideológica do Governo de Jair Bolsonaro, cuja ponta-de-lança, a ministra dos Direitos Humanos, a feroz pastora evangélica Damares Alves, critica as escolas que estudam a teoria da evolução, em vez do criacionismo, e festejou, com a ascensão do novo regime, que meninos voltem a vestir azul e meninas rosa.

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Ora, é neste contexto que o estilista Ronaldo Ésper anuncia ao Brasil, onde ganhou imensa popularidade em programas de televisão, o fim da sua homossexualidade.

Segundo o criador, que também é político nas horas vagas, a sua homossexualidade resultava de uma maldição familiar. "Eu fui amaldiçoado por uma tia que me odiava", disse Ésper, entrevistado pela rádio Jovem Pan.

Por causa da maldição dessa tia, que até teria tentado matar o sobrinho, atirando-o à piscina em criança, diz o próprio, o estilista foi, de facto, homossexual.

Mas hoje, fiel da Igreja Universal do Reino do Deus, de Edir Macedo (dono da TV Record, canal sempre ao dispor do novo Governo), já não o é mais.

Na entrevista, apelidada quer de "trágica", quer de "cómica", Ésper disse ainda que a ditadura militar, que durou de 1964 a 1985, não foi nenhum terror. Antes, pelo contrário. Foi maravilhosa: só apanhava quem era contra, quem era a favor, como ele, não tinha do que se queixar. Estamos ou não em 1819?

O correspondente da TSF no Brasil, João Almeida Moreira, assina todas as quintas-feiras no site da TSF a crónica Acontece no Brasil.

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