'Fake news'. Propaganda russa. Corrupção. As razões para um comediante chegar a Presidente

Volodymyr Zelenskiy teve uma vitória esmagadora contra Petro Poroshenko. O presidente da Associação de Ucranianos em Portugal e Sandra Fernandes, investigadora da Universidade do Minho, explicam o fenómeno.

O presidente da Associação de Ucranianos em Portugal, Paulo Sadoka, admite que ficou "triste" e "chocado" com os resultados das eleições da Ucrânia, em que o comediante Volodymyr Zelenskiy venceu por uma larga maioria.

Na opinião de Paulo Sadoka, a chegada do humorista ao poder deve-se a uma forte campanha russa nas redes sociais. "As pessoas não votaram a favor do comediante, votaram contra o Presidente Poroshenko", acredita.

Sadoka considera que se está a "enfrentar um novo tipo de guerra, uma guerra informativa", com a qual, "sem armas, e só através de divulgação ou propaganda, se consegue controlar um país estrangeiro". "As chamadas 'fake news'", esclarece, em declarações à TSF.

Já Sandra Fernandes, investigadora do Centro de Investigação em Ciência Política da Universidade do Minho, especialista em questões Ucranianas e Russas, não ficou surpreendida com esta vitória de um comediante.

A especialista acredita que os ucranianos foram à procura de uma "rutura" e que fizeram uma "aposta em algo de novo, mesmo que o novo seja difícil de caracterizar".

"Os ucranianos estão com uma situação muito híbrida, com um território dividido, com um uma população dividida e a descrença nos governantes no sistema político faz com que seja uma aposta que vista de fora pode ser muito estranha, mas que para os ucranianos tem um significado muito forte", explica à TSF.

Sandra Fernandes aponta também o tema da corrupção como uma justificação para os resultados, explicando que o "principal mote" do comediante é o facto de "não ser um político profissional, nem corrupto".

"O tema da corrupção, o facto de haver alguém que compreende o povo e que deixe de defender interesses que não sejam verdadeiramente os do povo é algo de muito forte no que está a acontecer na Ucrânia", concluiu.

A eurodeputada Ana Gomes, que está em Kiev em representação do Parlamento Europeu, a avaliar a transparência das eleições, acredita que os ucranianos votaram "pela mudança" e fugiram do "mais do mesmo". Assim, viram em Volodymyr Zelenskiy o "candidato que lhes dava esperança", realça à TSF.

A socialista realça que foram "sobretudo os jovens que determinaram esta escolha", apesar de "ninguém saber" o que o comediante vai trazer.

"[Volodymyr Zelenskiy] não se comprometeu, há duas áreas apenas onde se comprometeu que foi combate à corrupção e procurar acabar com a guerra coma Rússia", recorda Ana Gomes.

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