"Austeridade severa está a chegar ao fim"

A ministra grega do Trabalho e Segurança Social diz-se empenhada em "fechar o ciclo de austeridade", aplicada no país, ao longo dos últimos oito anos. Em entrevista à TSF, a menos de dois meses do fim do programa de resgate, Effie Achtsioglou diz-se convicta de que o modelo seguido em Portugal é "definitivamente" aquele que deve ser adotado por Atenas.

Ministra Effie Achtsioglou, as medidas que o governo grego preparou para o período a seguir à conclusão do programa serão suficientes para virar a página da austeridade, recorrendo aqui a uma expressão que tem sido muito usada em Portugal?
Acredito que podemos dizer que estamos a aproximar-nos do fim da austeridade nesta altura, no sentido em que atualmente estamos a sair do programa. Então a consolidação orçamental está terminada. Claro que os objetivos do superavit primário, em 2022, limitam o que nós podemos fazer e o que não podemos fazer. Mas, penso que o período de austeridade severa, no país, está a chegar ao fim.

Isso quer dizer que vai poder aumentar, por exemplo, o salário mínimo, que encolheu 40 por cento à conta da austeridade?
Atualmente, temos dois pilares, na nossa política. O primeiro é restabelecer os acordos coletivos, o que acontecerá em agosto deste ano. Isto irá permitir aos salários continuarem a crescer. Em segundo [lugar] é assegurar um aumento cauteloso do salário mínimo, depois da saída do programa. Planeamos seguir o paradigma de Portugal, que avança com aumentos sucessivos, mas pequenos aumentos, todos os anos. E, parece que essa é uma boa receita para seguir, uma vez que nunca afeta a taxa de desemprego.

A política que tem sido seguida em Portugal serve de inspiração ao seu governo? Olha para o modelo seguido em Portugal?
Sim, definitivamente.

De que forma é que acompanha o modelo português?
Por exemplo, com o ministro do trabalho de Portugal. Tivemos extensas conversações sobre a implementação de políticas [do governo português] no mercado de trabalho. Temos exatamente os mesmos pontos de vista. Eles têm três pilares nas políticas deles, [tais como] o aumento do salário mínimo, o restauro dos acordos de contratação coletiva e o combate ao emprego precário. Estes são também os pilares que estamos comprometidos a seguir. E, o paradigma deles é particularmente importante, porque eles foram bem-sucedidos nestas reformas, de uma forma que é equilibrada e não provocou qualquer turbulência na economia, depois de saírem do programa.

O governo português planeia também incluir, no Orçamento do Estado do próximo ano, medidas de incentivo ao regresso dos emigrantes, que deixaram o país nos anos da crise. No caso da Grécia, o seu governo fez as contas a quantas pessoas saíram na última década?
Não temos dados oficiais sobre isso.

Há um instituto académico Suíço que no início deste ano publicou um estudo, com dados até 2017, que fala em cerca de meio milhão de pessoas. Tem planos para os fazer regressar?
Acredito que o mais importante é criar as condições de emprego e o nível salarial, para que eles regressem. Pois, parece que aqueles que deixaram o país são os mais qualificados. Então, o nosso plano é, quando restaurarmos os acordos de contratação coletiva [e] com o aumento do salário mínimo, criaremos uma dinâmica para a melhoria dos salários no país. Acredito que este é o incentivo mais importante, para os fazer regressar.

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