Crise na Venezuela

Juan Guaidó impedido de desempenhar cargos políticos durante 15 anos

Na base da decisão estarão falsidades nas declarações fiscais.

O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, vai ser impedido de desempenhar qualquer cargo político nos próximos 15 anos. A decisão foi anunciada pelo controlador oficial do Estado, Elvis Amoroso, esta quinta-feira.

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Este é o período máximo de punição previsto na lei e tem como base, segundo Amoroso, o facto de Guaidó ter incorrido em falsidades nas suas declarações fiscais quanto ao recebimento de fundos de fontes não autorizadas.

Esta quinta-feira, o controlador explicou que Guaidó falhou em explicar a origem de fundos que terá utilizado para pagar viagens ao estrangeiro.

"O escritório encarregado dos registos migratórios da Venezuela revelou que o deputado Juan Guaidó realizou 91 viagens ao estrangeiro, por um custo superior a 300 milhões de bolívares (80.400 euros, cada uma) em que não há registo dos recursos que utilizou", disse.

Segundo o controlador-geral, estão por justificar 570 milhões de bolívares (152.760 euros) correspondentes a viagens que totalizam 248 dias, em oito meses.

Guaidó não aceita

Numa declaração pública, o presidente interino da Venezuela já fez saber que não reconhece esta decisão nem a autoridade de Amoroso.

"Ele não é o controlador. Não existe uma Assembleia Constituinte. O Parlamento Nacional legítimo é o único que pode designar um controlador", explicou Guaidó.

EUA e os aviões russos em Caracas

Os Estados Unidos garantem que estão em contacto permanente com a Rússia sobre a situação política na Venezuela. A informação foi dada pela Representante Especial norte-americano para a Venezuela, Elliot Abrahms, em declarações à TSF.

"Estive recentemente em Roma onde me reuni com o Ministro-adjunto Ribkov, foi antes desses voos russos, mas onde acho que tivemos uma conversa bastante útil sobre a Venezuela e este fim-de-semana o Secretário de Estado, Mike Pompeo falou com o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, especificamente sobre esses voos. Estamos em contacto com a Rússia muito regularmente sobre uma série de assuntos e entendemos que esses voos russos e o papel da Russia na Venezuela é muito pouco construtivo para qualquer solução para o que se passa na Venezuela", disse o diplomata norte-americano.

Numa descrição sobre a situação política vivida em Caracas, Eliott Abrams entende que muitos militares continuam com o regime de Maduro por conveniência e medo.

"Penso que ao mais alto nível há alguns milhares de generais que ainda beneficiam da participação que têm no regime, mas temos algumas provas de que muito disso é falseado. Se estás no meio militar tens sempre um irmão ou irmã, tios e primos que estão a sofrer. Há muitas conversações que estão a decorrer, que não estão visíveis, e creio que no fim disto, os militares venezuelanos vão agir a favor do povo venezuelano", disse.

Eliott Abrahams rejeita ainda qualquer responsabilidade dos EUA sobre a grave situação de instabilidade que se vive na Venezuela.

"As sanções dos Estados Unidos começaram a ser impostas há menos de dois meses mas em alguns casos ainda não começaram a ter efeito. Não temos nada a ver com a inflação de um milhão por cento, no ano passado. Não temos nada a ver com o facto de, nos últimos sete meses, terem fechado hospitais. Não temos nada a ver com a continuação do apagão que tem causado uma devastação paro povo venezuelano. Não temos nada a ver com doenças que tinham sido erradicadas e que voltaram; portanto, a noção de que os EUA são responsáveis por isto, penso que é completamente rejeitada pelas provas", sublinhou.

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