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Há oito milhões de ilegais nos EUA. E sim, alguns trabalham para Trump

O homem que declarou guerra à imigração ilegal nos Estados Unidos não deixa de os usar como força de trabalho nas suas empresas. Mesmo que tente.

Victorina Morales ganha 13 dólares (cerca de 11 euros) no Trump National Golf Club Clube Nacional, uma estância de golfe em Bedminster, onde trabalha há cinco anos.

É uma entre os muitos imigrantes ilegais que trabalham para Donald Trump, uma entre os cerca de oito milhões no mercado de trabalho norte-americano.

Resolveu contar a sua história ao New York Times porque se diz "cansada dos abusos, dos insultos, da forma como ele [Donald Trump] fala sobre nós [imigrantes] quando sabe que o ajudamos a fazer dinheiro".

Victorina Morales chegou aos Estados Unidos ilegalmente em 1999, depois uma viagem de seis semanas de autocarro e a pé que começou na Guatemala.

Atravessou a fronteira da Califórnia sem ser detetada e conseguiu comprar documentos falsos, os mesmos que usou (e ainda usa) para trabalhar no clube de golfe, em 2013.

Quando chegou ao país não falava inglês, mas após anos de trabalho muito próximo de Donald Trump e da família recebeu recentemente uma certificação especial da Casa Branca pelo bom serviço prestado.

Quando inaugurou o Trump International Hotel em Washington, Donald Trump assegurava "não ter um único imigrante ilegal a trabalhar" no hotel.

Para o garantir, as empresas do Presidente dos Estados Unidos recorrem a um sistema informático de cruzamento de dados, o E-Verify, que não é, no entanto, usado no clube de golfe.

Há mais trabalhadores ilegais aqui, conta Victorina Morales. Cuidam dos jardins e da relva dos campos de golfe, fazem limpezas, lavam a roupa.

Victorina lavava a roupa de Donald Trump, Melania e do filho de ambos numa máquina à parte. O Presidente norte-americano tratou-a bem em várias ocasiões, conta. Noutras tratou-a mal, como no dia em que lhe foi pedir esclarecimentos por duas nódoas cor-de-laranja na gola do seu polo de golfe. Era maquilhagem e não tinha saído na lavagem.

"Suamos para satisfazer todas as suas necessidades e ele humilha-nos", lamenta.

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