Reino Unido e Irlanda querem negociações para restaurar Governo autónomo

O Reino Unido e a Irlanda vão promover negociações para restaurar o Governo autónomo da Irlanda do Norte na sequência da violência no território que resultou na morte de uma jornalista.

Reino Unido e Irlanda vão negociar a restauração do Governo autónomo da Irlanda do Norte.

A ministra britânica para a Irlanda do Norte, Karen Bradley, e o ministro dos Negócios Estrangeiros irlandês, Simon Coveney, deverão apresentar os planos numa conferência de imprensa após um encontro em Belfast esta sexta-feira, segundo as estações públicas BBC e RTÉ.

A província britânica está sem formar governo há dois anos, devido à divergência entre o Partido Democrata Unionista (DUP) e o Sinn Féin, os dois partidos mais votados nas eleições em 2017 e que, segundo os acordos de paz, devem partilhar o poder.

Os dois partidos não formaram um governo comum por discordarem em questões como o ensino da língua gaélica, uma imposição do Sinn Féin, que defende a fusão com a República da Irlanda e representa os católicos, repudiada pelo DUP, partido favorável à permanência no Reino Unido e identificado com a religião protestante.

Desde então, a gestão corrente é feita a partir de Londres.

A pressão para retomar o diálogo aumentou desde o homicídio da jornalista Lyra McKee, morta na última semana, na sequência de tiros disparados por membro de um grupo militante nacionalista irlandês autointitulado New IRA durante confrontos com a polícia em Londonderry.

Perante os líderes políticos dos dois países presentes numa cerimónia religiosa em honra de McKee em Belfast, incluindo a primeira-ministra britânica, Theresa May, e o homólogo irlandês, Leo Varadkar, o padre Martin Magill elogiou a reação unida dos políticos, mas perguntou: "Pelo nome de Deus, porque é que é preciso a morte de uma mulher de 29 anos com a vida toda pela frente para chegarmos a este ponto?".

O líder do partido pró britânico Ulster Unionist Party, Robin Swann, manifestou hoje o apoio a novas negociações, afirmando que o vácuo político da Irlanda do Norte "será explorado e preenchido pelos homens e mulheres das sombras".

A maioria dos grupos paramilitares da Irlanda do Norte abandonou as armas desde que um acordo de paz de 1998 que pôs fim a três décadas do conflito sectário, mas um pequeno número de dissidentes recusa-se a abandonar a violência, atacando sobretudo agentes da polícia e funcionários de prisão com ataques ou atentados à bomba.

O New IRA, o maior destes grupos dissidentes, reivindicou a responsabilidade pela morte de McKee, acrescentando que ela foi atingida acidentalmente "enquanto estava ao lado das forças inimigas", uma referência à polícia.

A polícia da Irlanda do Norte divulgou hoje imagens de alguns suspeitos pela violência e pelo homicídio, que estavam vestidos de preto e de cara tapada, num apelo aos locais para obter informações que permitam identificá-los.

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