Parlamento Europeu

I.S.L.A.M. Conhece este partido político?

Vão a votos nas eleições comunais, na Bélgica, mas sonham com o Parlamento europeu. Prometem lutar por "certos direitos humanos", defendendo uma "Sharia ocidental".

O I.S.L.A.M. quer dar ao Islão uma "outra interpretação, mais próxima da realidade", admitindo que isso pode passar por interpretar de "outra maneira" a lei fundamental, a Sharia.

"O que é que podemos pôr dentro dessa Sharia? Para nós é claro: é a Constituição que meteremos dentro da Sharia. Há um exemplo que dou sempre. Não há muito tempo, na Arábia Saudita, as mulheres não podiam conduzir, e agora podem. Será que a Sharia mudou ou eles deram uma outra interpretação à Sharia?", afirmou à TSF o presidente do partido, Abdelhay Bakkali Tahiri, acrescentando que "a Sharia, na Bélgica, é uma Sharia à ocidental".

Prometem fomentar a "Integridade, a solidariedade, a liberdade, a autenticidade e a moralidade". Do conjunto de intenções que são slogan de campanha resulta a sigla que dá nome ao partido, que pretende ainda afastar o Islão do conceito de terrorismo.

"Nós dizemos que um terrorista é um terrorista, e ponto final. Dizermos um terrorista judeu é falso, dizer um terrorista cristão é falso, se dissermos um terrorista muçulmano é falso. Para nós é tão claro quanto isto", afirmou Bakkali Tahiri, vincando que "um terrorista não tem religião, não tem nada, é um monstro que se chama terrorista".

Na candidatura às eleições comunais na Bélgica defendem a liberdade religiosa e o reconhecimento constitucional de certas tradições e costumes que alguns não aceitam.

"Eles impedem as raparigas de irem à escola com um véu mesmo que sejam crescidas e alem disso, em certas escolas, proibiram mesmo de vestirem saias compridas", afirmou, manifestando incompreensão pela rejeição desses costumes.

"Não percebo porque é que uma mulher não pode levar um tecido ou um penteado diferente na sua cabeça. Isso não é um apelo imediato à religião. Quer apenas dizer que a mulher não se quis pentear durante três horas e então ela põe um véu ou um lenço na cabeça. Dizer que isso é um doutrinamento religioso é uma interpretação arbitrária que nós recusamos", disse.

Eleições Europeias

Em maio, do próximo ano querem concorrer às eleições europeias, estando apenas a aguardar o momento indicado para a recolha das "5 mil assinaturas" necessárias para a formação de uma lista de candidatura ao Parlamento Europeu.

"É alcançável. A partir do momento em que trabalhemos bem, como temos feito ao longo destes anos. Acredito que podemos facilmente conseguir um assento ao nível europeu", afirmou o presidente do partido, esclarecendo que já está em contacto com outras estruturas idênticas, em toda a Europa.

"Estamos em contacto com um partido que vai concorrer essencialmente em Espanha, em Barcelona. Temos também um contacto com a União dos Muçulmanos Democratas de França, temos também o Denk na Holanda", enumerou, falando ainda da existência de "outros parceiros nos outros países".

Direitos humanos e abate de animais

O propósito de uma eventual candidatura europeias será "defender os cidadãos europeus, evidentemente". Mas, pretendem também "rever certos direitos do homem que já não são exercidos, por via de certas directivas europeias".

"Por agora eles entretém-se a tentar impedir o abate tradicional. Num nível muito pessoal, se alguém tem um jardim ou um sitio onde possa abater um borrego ou uma cabra ou um pequeno animal - um porco, porque não?", defendeu, lamentando que "queiram ocupar-se a proibir isso"

"Mas nós, evidentemente queremos assegurar esse direito aos europeus, de poderem abater os seus animais, nas suas casas, sem serem obrigados de os transportarem para os matadouros", prometeu.

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