Venezuela

Jovem de 15 anos é a centésima vítima nos protestos da Venezuela

Desde o início de abril, já morreram 100 pessoas nos protestos contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

O anúncio foi feito pelo Ministério Público venezuelano. A centésima morte foi de um jovem de 15 anos, morto na quinta-feira durante uma manifestação no Estado de Zuila (oeste do país), durante a greve geral de 24 horas convocada pela oposição.

O Ministério Público referiu que a Procuradoria de Zulia investiga a morte do jovem, que ocorreu durante um protesto no bairro de Pomona, naquele Estado.

O organismo confirmou hoje também que investiga a morte de Eury Rafael Hurtado, de 34 anos, que "recebeu quatro tiros durante a tarde" de quinta-feira durante uma manifestação no bairro de Santa Eulalia, em Los Teques, capital do Estado de Miranda (centro-norte do país).

Na quinta-feira, realizou-se uma greve geral na Venezuela, convocada pela oposição ao Governo do Presidente Nicolás Maduro, o que provocou confrontos violentos entre manifestantes que saíram às ruas e as forças de segurança.

Esta greve geral faz parte de uma agenda de iniciativas contra o Presidente Maduro, já que o chefe de Estado pretende eleger uma nova Assembleia Constituinte para fazer alterações à Constituição venezuelana. As eleições para a Assembleia Constituinte estão marcadas para 30 de julho.

Na Venezuela, as manifestações a favor e contra o Presidente Nicolás Maduro intensificaram-se desde o dia 1 de abril, depois de o Supremo Tribunal de Justiça ter divulgado duas sentenças que limitavam a imunidade parlamentar e em que aquele organismo assumia as funções do parlamento.

Amnistia Internacional denuncia violência e repressão do regime venezuelano

A Amnistia Internacional tem vindo a acusar as autoridades venezuelanas de utilizarem a violência policial e os discursos oficiais para reprimir "todo e qualquer" cidadão que se manifeste contra o regime de Nicolás Maduro.

Num comunicado recente sobre o país, a diretora da AI para as Américas denunciou que "o que parecia uma reação isolada das autoridades venezuelanas face aos protestos indica, de facto, uma estratégia planeada pelo Governo do Presidente Maduro para o uso da violência e de força ilegítima contra a população da Venezuela para neutralizar qualquer crítica".

Erika Guevara-Rosas acrescentou que quem pensa diferente do regime é catalogado como "terrorista" e quem se manifesta é vítima de violência das autoridades, numa "estratégia de silenciar o crescente descontentamento social na Venezuela".

  COMENTÁRIOS