Península Ibérica

Polémica da circum-navegação afastada, até porque "Cristiano já não joga no Real"

Ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal e Espanha querem "projetar o futuro" partindo do exemplo da circum-navegação iniciada por Fernão de Magalhães e concluída por Sebastião Elcano.

Os chefes de diplomacia de Portugal e Espanha afastaram esta sexta-feira a controvérsia recente sobre a autoria da primeira viagem de circum-navegação, frisando que é tempo de "projetar o futuro" através deste capítulo da História e não de "reinventar rivalidades".

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"Este é um momento para qualquer coisa menos para reinventar rivalidades. Porque estamos longe de ter qualquer razão para ter qualquer rivalidade entre nós", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, Josep Borrell, ao lado do homólogo português, Augusto Santos Silva, gracejando que até mesmo ao nível do futebol já não existem rivalidades entre os dois países porque "o Cristiano Ronaldo já não joga no Real Madrid"

Numa conferência de impressa conjunta, os dois ministros foram questionados sobre a recente polémica que surgiu após um relatório da Real Academia de História (RAH) de Espanha, elaborado a pedido do diário ABC, no qual é afirmado que a primeira viagem de circum-navegação da Terra foi um projeto total e exclusivamente espanhol.

A controvérsia surge em plena preparação das comemorações nacionais (portuguesas e espanholas) e conjuntas dos 500 anos da viagem de circum-navegação que foi iniciada pelo português Fernão de Magalhães e concluída pelo navegador espanhol Sebastião Elcano.

"Não temos nenhuma razão para inventar nenhuma rivalidade. (...) Cada um teve a sua parte na História e o que temos de fazer é projetar no futuro, superando os tempos" em que os dois países foram rivais, acrescentou o ministro espanhol.

Santos Silva afirmou, por seu turno, que a investigação histórica "pertence aos historiadores fazê-la, não aos políticos".

"O que ambos os países, Espanha e Portugal, querem é usar, quer nas suas comemorações nacionais, quer nas comemorações conjuntas que vão fazer, Fernão de Magalhães e Sebastião Elcano como fontes de inspiração para o que nós temos de fazer agora, para a nossa globalização, para a nossa época, para a nossa necessidade também de mobilizar o conhecimento, de mobilizar os recursos, de mobilizar a nossa vontade de todos para inventar futuro, como há 500 anos", argumentou o ministro português.

Os dois ministros esclareceram ainda que a candidatura inicial da primeira viagem de circum-navegação para Património Mundial da Humanidade apresentada por Portugal à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, na sigla em inglês) será substituída por uma mais ampla e apresentada não só por Lisboa e Madrid, mas também por outros territórios que estiveram envolvidos na expedição.

Josep Borrell anunciou ainda que a vice-primeira-ministra do governo espanhol, Carmen Calvo, que preside à comissão nacional espanhola para as comemorações do quinto centenário da expedição de Fernão de Magalhães e Sebastião Elcano, estará em Lisboa a 1 de abril.

"Para apresentar, conjuntamente, as ações que as duas comissões têm feito, cada uma pelo seu lado, e quais são aquelas que têm pontos em comum", concluiu o ministro espanhol.

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