brexit

May avisa: deputados terão de "enfrentar as consequências das decisões" que tomaram

Derrotada no Parlamento britânico, Theresa May lançou um aviso aos deputados: o único acordo que existe com a UE é o que está em cima da mesa.

Theresa May sofreu, esta terça-feira, mais uma derrota, ao ver rejeitada a possibilidade de que o Brexit seja feito sem acordo. O parlamento britânico a saída do Reino Unido da União Europeia sem um acordo, em qualquer circunstância, com a estreita margem de apenas quatro votos, com 312 a favor da proposta e 308 contra.

PUB

Na reação, a primeira-ministra britânica repetiu o aviso que já tinha feito esta terça-feira: "a câmara terá de enfrentar as consequências das decisões que tomou."

Dirigindo-se aos deputados, Theresa May reconheceu "uma maioria clara contra uma saída sem acordo. No entanto, repito e reforço o que disse anteriormente: estas são as escolhas que esta câmara enfrenta. Esta falha jurídica na UE é uma saída sem acordo, é isso que está na mesa, a não ser que seja acordado algo diferente."

May avisou depois os deputados de que o único acordo possível é o que está em cima da mesa e que a organização de um segundo referendo poderia significar a inviabilização de qualquer tipo de Brexit.

"As opções que temos são as que sempre tivemos: podemos sair com o acordo que este Governo negociou nos últimos dois anos, podemos sair com um acordo que negociamos quanto a um segundo referendo, o que poderia significar que a não- existência, de todo, de um Brexit, prejudicando assim a frágil confiança do povo britânico e dos membros desta câmara. Podemos tentar negociar um acordo distinto, mas a União Europeia foi muito clara: o acordo que está na mesa é o único que está disponível", avisou.

Para esta quinta-feira fica marcada uma votação à extensão do Artigo 50, que poderá - ou não - conceder ao Governo britânico mais tempo para negociar uma saída.

"A câmara concorda com uma extensão do Artigo 50, é a consequência lógica da votação dos últimos dois dias nesta câmara. Haverá uma declaração de emergência a confirmar a mudança para amanhã [quinta-feira] desta votação, será a escolha que esta câmara enfrenta. Se a câmara encontrar uma forma de apoiar este acordo, permitirá ao Governo ter uma extensão curta e técnica ao Artigo 50, para termos tempo para aprovar a legislação necessária e ratificar o acordo com a UE. Deixem-me ser clara: essa extensão técnica e curta só estará sobre a mesa se tivermos um acordo. Como tal, a câmara terá de perceber e aceitar que, se não apoiar um acordo nos próximos dias - tal como não está disposta a sair sem acordo a 29 de março - sugere-se que terá se haver uma prorrogação mais prolongada do Artigo 50, que terá de ultrapassar as eleições europeias em maio de 2019", esclareceu a primeira-ministra britânica.

Se a saída do Reino Unido ficar marcada para depois do período das Europeias 2019, que decorrem entre 23 e 26 de maio, os britânicos são obrigados a indiciar e eleger eurodeputados.

LER MAIS:

- "Order!" Deputados rejeitam Brexit sem acordo e adiamento da data de saída da UE

- Se houver coerência, "o Reino Unido vai ter que pedir um adiamento" do Brexit

- "O acordo morreu." Portugal já se prepara para um Brexit desordenado

- Charles Tannock: "Isto é uma derrota acima do que se esperava"

- Risco de Brexit sem acordo nunca foi tão elevado, alerta Barnier

- Saída do Reino Unido da União Europeia pode sair muito cara a Portugal

- May quer saber se deputados aceitam Brexit sem acordo. Nova votação esta quarta-feira

  COMENTÁRIOS