Sajid Javid

Ministro do Interior britânico questiona estatuto de asilo de migrantes

"Se são verdadeiros requerentes de asilo porque é que não pediram asilo no primeiro país seguro a que chegaram?", questionou Sajid Javid.

O ministro do Interior britânico, Sajid Javid, questionou esta quarta-feira o estatuto de requerente de asilo dos migrantes que arriscam a vida tentando atravessar o canal da Mancha em frágeis embarcações, durante uma visita a Dover.

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Javid disse na cidade costeira britânica que quase todos os migrantes que fazem a arriscada travessia pedem asilo no Reino Unido apesar de virem de França, considerada um local seguro.

"Se são verdadeiros requerentes de asilo porque é que não pediram asilo no primeiro país seguro a que chegaram?", questionou.

Segundo Javid, 539 migrantes tentaram atravessar o canal da Mancha em pequenas embarcações em 2018, 80% dos quais nos últimos três meses. Foram 230 apenas em dezembro, disse.

O ministro evocou travessias "incrivelmente perigosas" e procurou desencorajar os candidatos à viagem.

As declarações de Javid foram criticadas por uma responsável da organização de ajuda aos refugiados Refugee Action, Lisa Doyle, que as considerou "profundamente preocupantes".

"É vergonhoso que o ministro do Interior pareça ter necessidade de ser lembrado que o pedido de asilo é um direito e que o Reino Unido tem a obrigação de analisar os pedidos e de proteger aqueles que precisam de os fazer", declarou Doyle à agência France Presse.

A deputada trabalhista Stella Creasy também acusou Javid na rede social Twitter de "normalizar a retórica antirrefugiados".

Segundo Creasy, "o sistema de asilo francês está completamente bloqueado, intencionalmente" e tal merece crítica, "mas nada disso absolve o Reino Unido da sua responsabilidade em relação aos refugiados".

Javid tinha anunciado na segunda-feira um reforço das patrulhas da polícia nas fronteiras britânicas da Mancha, nomeadamente graças ao destacamento de dois navios com base no Mediterrâneo.

Na véspera tinha sido decidido um "plano de ação reforçado" com a França, prevendo mais patrulhas e uma aumento da luta contra os traficantes e dos esforços para sensibilizar os migrantes.

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