crise humanitária

Milhares de Rohingya deixados na praia para morrerem

A estação de televisão Sky News conseguiu entrar no estado de Rakhine onde, desde agosto, o exército de Myanmar aterroriza a minoria muçulmana.

São as primeiras imagens independentes que saem da antiga Birmânia. Desde o início da repressão em agosto as autoridades proibiram as agências humanitárias e os jornalistas estrangeiros de entrarem no estado de Rakhine.

A equipa da televisão britânica Sky News viajou de barco desde o sul do Bangladesh e conseguiu chegar a uma praia onde milhares de pessoas vivem há mais de um mês. Elas estão encurraladas depois de os militares terem colocado minas em redor do areal.

As imagens filmadas pela câmara de visão noturna são, por diversas vezes, difíceis de ver. Há corpos esqueléticos e muitas pessoas, novas e velhas, estão tão fracas que mal se têm de pé.

A câmara de Martin Smith foca-se em muitos bebés recém-nascidos. Uma jovem mãe, de 19 anos, mostra o filho, nascido há 24 horas, ainda com o cordão umbilical pendurado. A voz da jornalista Akex Crawford dá conta do desespero que se sente naquela praia, todos pedem ajuda mas sentem que ninguém os ouvem.

Veja a reportagem exclusiva da SkyNews

As expressões destas pessoas são de terror, uma mulher mais velha treme de medo. Todos foram expulsos das aldeias onde moravam e agora só querem chegar ao Bangladesh.

Cansados de esperar diversos homens estão a construir uma jangada com destroços que encontraram na praia. Eles esperam que a embarcação resista o suficiente para que alguns possam fugir ao inferno. Os rohingya querem que a equipa britânica veja um rapaz que está inconsciente. Dizem que ele foi espancado pelos militares porque tentou encontrar água potável.

A equipa esteve pouco tempo na praia porque o dono do barco que a transportou teme a chegada de militares de Myanmar. A caminho do barco, Alex Crawford vê uma menina desacompanhada e dá-lhe a mão para que possa embarcar em segurança.

A embarcação deixa o estado de Rakhine com 30 refugiados a bordo. A tripulação distribui biscoitos e água entre as pessoas, para muitas é a primeira comida em dias. Esgotados, muitos dos Rohingya adormecem durante a longa viagem.

Apesar de terem deixado a antiga Birmânia para trás ainda não estão a salvo porque as autoridades do Bangladesh também já não os querem. O país recebeu em 10 semanas mais de 600 mil refugiados, um número muito superior aquele com que consegue lidar.

Como diz a jornalista britânica "Eles escaparam com vida, mas têm pouco mais".

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