espionagem

NATO "profundamente preocupada" com caso de ex-espião russo

A NATO apoiou o Reino Unido no caso do envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal e responsabilizou a Rússia, prometendo ajudar nas investigações.

Num comunicado, o secretário-geral da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (NATO), Jens Soltenberg, salientou que a preocupação é ainda maior por se tratar do "primeiro uso ofensivo de um gás que ataca o sistema nervoso" em território da Aliança desde que a organização foi fundada, em 1949.

No comunicado, a NATO pediu também à Rússia que responda às questões postas pelo Reino Unido sobre o Novitchok, o agente químico que ataca o sistema nervoso a que Skripal e a filha, ambos hospitalizados desde dia 4 de março, terão sido sujeitos quando tomavam chá em Salisbury.

"É necessário que a Rússia forneça informações completas sobre o programa Novitchok à Organização para a Interdição de Armas Químicas", lê-se no documento.

A Aliança Atlântica, que esteve reunida esta manhã em Bruxelas com os embaixadores dos países que integram a NATO, considerou que o "ataque" constitui uma "clara brecha nos acordos e normas internacionais".

"Congratulo-me por os 29 aliados da NATO terem aprovado uma declaração em que exprimem total solidariedade com o Reino Unido e por oferecerem o apoio após o ataque em Salisbury", sublinhou Stoltenberg, já na sua conta pessoal no Twitter.

Na declaração da NATO é argumentado que o Reino Unido confirmou a utilização de um agente neurotóxico de uso militar, criado pela Rússia ainda no tempo da extinta União Soviética, e que informou os Aliados da "forte probabilidade" de a Rússia ser responsável.

O Kremlin já rejeitou as acusações, considerando que não existem provas e que não aceita ultimatos de Londres, manifestando ainda a esperança de que "o bom senso prevaleça".

Segundo Theresa May, a substância utilizada para envenenar Skripal, 66 anos, e a filha, Júlia, 33 anos, pertence ao grupo dos agentes tóxicos Novitchok.

Um dos "pais" do Novitchok, Vil Mirzaianov, que reside atualmente nos Estados Unidos, afirmou que a Rússia é o único país capaz de produzir e utilizar um agente químico que ataca o sistema nervoso tão potente e eficaz.