Presidente egípcio inaugura catedral copta e mesquita na nova capital do Egito

Ato simbólico decorreu um dia antes do Natal copta.

O presidente egípcio inaugurou este domingo uma nova catedral para a Igreja ortodoxa copta e uma das maiores mesquitas da região num gesto simbólico e quando os grupos 'jihadistas' têm aumentado os ataques contra a minoria cristã do país.

Abdel Fattah al-Sissi, o general que se tornou Presidente após o golpe de Estado de julho de 2013 que afastou o islamita Mohamed Morsi da chefia do Estado, tem combatido a militância 'jihadista' e advoga a igualdade entre a larga maioria de população muçulmana e os cristãos, cerca de 10% dos 100 milhões de habitantes do Egito.

No entanto, a política propagada por Sissi, que além das perseguições aos partidários de Morsi também desencadeou uma feroz repressão sobre as oposições laicas, pouco tem contribuído para proteger os cristãos no Egito rural, onde os extremistas muçulmanos atacam com frequência as suas casas e atividades comerciais, ou forçam à sua partida após violentas disputas.

Críticos e ativistas também referem que a discriminação contra os cristãos é frequentemente tolerada pelas autoridades locais e membros das forças de segurança.

A inauguração ocorreu na nova capital administrativa do Egito, atualmente em construção no deserto perto do Cairo, sob fortes medidas de segurança, e quando os coptas locais celebram o seu Natal a 7 de janeiro.

No sábado, e num novo incidente dirigido à comunidade copta, um comandante da polícia especialista em desminagem foi morto no Cairo ao tentar desativar uma bomba perto da igreja al-Azraa Wa Abou Sifin, segundo fontes dos serviços de segurança, mas uma informação que não foi comunicada pelas autoridades e anunciada nos media de forma discreta.

No decurso da cerimónia de inauguração foi sublinhado aquilo que os media pró-governamentais gostam de designar como "tecido nacional" de cristãos e muçulmanos.

Cantores e coros subiram ao palco da nova catedral para entoar louvores ao quotidiano pacífico entre as duas comunidades, e foram exibidos filmes com os mesmos tópicos.

O líder palestiniano Mahmoud Abbas e diversos dirigentes árabes estiveram presentes na cerimónia, que também incluiu mensagens em vídeo de apoio por diversos líderes clérigos cristãos da região e ainda do papa Francisco.

O Governo de al-Sissi incrementou no início de 2018 o combate aos militantes islamitas, com o exército e a polícia envolvidos numa campanha destinada a erradicá-los, em particular na região do Sinai e para onde foram enviados milhares de soldados apoiados por veículos blindados, aviões e helicópteros de combate e navios de guerra.

Numa recente entrevista ao programa da CBS "60 Minutos", o Presidente egípcio também admitiu o envolvimento de forças militares israelitas no combate aos grupos militantes no norte da península do Sinai, junto à fronteira comum entre os dois países.

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