Príncipe Carlos alerta para risco de um novo Holocausto

O crescimento do populismo extremista e da intolerância relativamente a outras religiões e aos refugiados carrega o risco de que se repitam "os horrores" dos anos 30.

A inquietação do Príncipe Carlos surgiu aos microfones de um programa BBC chamado "Pensamento para o Dia" - "Thought for the Day". Carlos pôs o dedo na ferida do ódio com base na religião e pediu que se tenha uma postura hospitaleira relativamente aos refugiados que fogem da guerra e da perseguição.

A jornalista Barbara Baldaia ouviu a mensagem do Príncipe Carlos à BBC

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"Estamos a assistir ao aumento de grupos populistas em todo o mundo que são cada vez mais agressivos relativamente àqueles que seguem uma fé minoritária. Tudo isto traz ecos profundamente perturbadores dos dias negros dos anos 30", referiu.

O herdeiro da coroa britânica convida a um exercício de memória e de história: "Eu nasci em 1948, no final da II Guerra Mundial. A geração dos meus pais batalhou e morreu numa batalha contra a intolerância, o extremismo monstruoso e tentativas inumanas para exterminar os judeus da Europa".

O príncipe Carlos faz a ponte entre aquilo a que se assistiu nessa altura e o que está a acontecer atualmente: "Quase 70 anos depois, continuar a assistir a essa perseguição malvada é, para mim, inacreditável".

"Devemos àqueles que sofreram e que morreram de forma tão horrível não repetir os horrores do passado", acrescentou ainda o príncipe de Gales, que fez questão de sublinhar o sofrimento dos 65 milhões de refugiados. Um número, fez notar ele, praticamente equivalente ao total da população do Reino Unido.

"Normalmente, no Natal pensamos no nascimento de Jesus Cristo. Creio que este ano devíamos lembrarmo-nos de como a história da Natividade se desenrola com a fuga da sagrada família para escapar a uma perseguição violenta. Também nos devemos lembrar que o profeta Maomé migrou de Meca para Medina, porque também estava à procura de liberdade para ele próprio e para os seus seguidores", pediu Carlos.

Por isso, fica a chamada de atenção: "Qualquer que seja a religião que sigamos, o destino é o mesmo: valorizar e respeitar o outro e aceitar o seu direito de amar Deus de forma pacífica. Foi isso que vi quando estive presente na cerimónia de consagração da primeira catedral síria ortodoxa em Londres. São pessoas perseguidas por causa da religião no seu próprio país e que procuram refúgio noutra terra e liberdade para praticar a sua fé de acordo com a sua consciência. É um exemplo que nos deve inspirar a todos nesta altura do Natal".

O exemplo de uma catedral que acolhe cristãos que fogem da guerra na Síria na base do repto do herdeiro da coroa britânica.

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