Brasil

Tribunal dá luz verde à prisão de Lula da Silva

O Supremo Tribunal Federal rejeitou o habeas corpus pedido pela defesa de Lula da Silva. A prisão do antigo presidente brasileiro depende agora do juiz Sergio Moro.

A qualquer instante, o juiz da Operação Lava-Jato, Sergio Moro, pode expedir mandado de prisão contra Lula da Silva. O momento exato para essa prisão depende apenas de saber se Moro aguarda decisão sobre um recurso puramente formal, que ainda segue em apreciação em segunda instância, ou se opta por mandar prender antes disso.

Após 10 horas de julgamento, Carmen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, deu o veredicto já madrugada no Brasil: ao rejeitar o habeas corpus pedido pela defesa de Lula, colocou o resultado em 6-5 e determinou a prisão do antigo presidente e atual líder de todas as sondagens e cenários para as presidenciais de outubro.

Logo após o veredicto, ouviram-se fogos-de-artifício e manifestações de alegria em centenas de cidades do país em comemoração pela decisão do Supremo. Houve, por sua vez, em simultâneo, protestos em quase todos os estados brasileiros de apoiantes de Lula.

Os 11 juízes votaram todos como esperado: cinco a favor do pedido de Lula, cinco contra. Foi o voto de outra juíza a meio da sessão, o da discreta Rosa Weber, que não havia dado qualquer indicação do seu voto previamente, que desempatou o julgamento.

Embora Lula possa apresentar candidatura mesmo preso, é quase impossível, irrealista, pensar-se que o antigo metalúrgico concorra, de facto, às eleições de outubro.

Da cadeia, porém, será ainda assim voz importante no ato eleitoral no apoio a um plano B do Partido dos Trabalhadores, que pode ser o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad.

Lula, 72 anos, nascido miserável em Caetés, cidade no sertão de Pernambuco, tornou-se já nos arredores de São Paulo, para onde a sua família migrou para escapar da fome, sindicalista de sucesso. Após três derrotas seguidas, foi eleito presidente em 2003 e reeleito em 2006 com votações expressivas.

Ao conseguir colocar 50 milhões de brasileiros pobres na sociedade de consumo, saiu do cargo com perto de 80 pontos de aprovação popular e ajudou a eleger e reeleger a sua sucessora, Dilma Rousseff. Vai acabar preso na sequência da Operação Lava-Jato, que investiga mega escândalo de corrupção em torno da petrolífera estatal Petrobrás, acusado de ter sido presenteado com um apartamento triplex por uma construtora beneficiária do esquema.

O Partido dos Trabalhadores já reagiu à decisão do Tribunal. Considera que se trata de "uma combinação de interesses políticos e económicos" e fala de "um dia trágico para a democracia e para o Brasil".