Síria

Reino Unido acusa Rússia e Síria de travar inspeção contra armas químicas

A Organização para a Proibição de Armas Químicas diz que foi impossibilitada de inspecionar os locais controlados pela Rússia e Síria na cidade de Douma. Moscovo e Damasco negam impedição.

O Reino Unido acusou esta segunda-feira a Rússia e a Síria de não permitirem à missão da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), que está a investigar o ataque perpetrado na localidade síria de Douma, o acesso ao local. Moscovo respondeu pouco tempo depois ao dizer que não impediu os inspetores de armas químicas de entrar em Douma, contrapondo que os peritos estão à espera de uma autorização específica por parte da ONU.

"A OPAQ chegou no sábado a Damasco. A Rússia e a Síria ainda não autorizaram o acesso a Douma", declarou a embaixada britânica em Haia através de um tweet, exortando a OPAQ a "pedir contas aos autores do ataque em Douma" para que o mundo não arrisque "mais usos bárbaros de armas químicas, na Síria ou noutros locais".

O vice-ministro sírio dos Negócios Estrangeiros, Ayman Soussane, disse no domingo que a Síria iria deixar "a equipa fazer o seu trabalho de forma profissional, objetiva, imparcial e longe de qualquer pressão [das autoridades]", considerando que os resultados demonstrarão que são falsas as alegações de que é o regime sírio o culpado dos ataques.

Segundo o oficial sírio, os investigadores da OPAQ iriam iniciar o seu trabalho em Douma, perto da capital da Síria, no domingo.

O homólogo russo, Sergei Ryabkov, disse que esta posição do Reino Unido "trata-se de novas invenções por parte dos nossos colegas britânicos" argumentando que o acesso dos inspetores foi sim dificultado pelas consequências do ataque "ilegal" conduzido no sábado passado pelos Estados Unidos (EUA), com o apoio dos aliados França e Reino Unido, contra a Síria.

Sergei Ryabkov frisou ainda que a missão de peritos da OPAQ, que chegou à Síria na semana passada, não teve o acesso permitido porque ainda não garantiu uma autorização por parte do Departamento de Segurança e Proteção das Nações Unidas (UNDSS, na sigla em inglês).

O ataque ocorrido a 7 de abril, atribuído às forças do regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad provocou mais de 40 mortos e 500 feridos, motivando uma intervenção conjunta dos Estados Unidos, França e Reino Unido contra alvos associados à produção de armamento químico na Síria.

O presidente dos EUA justificou o ataque com mísseis como uma resposta à "ação monstruosa" realizada pelo regime de Damasco contra a oposição e prometeu que a operação irá durar "o tempo que for necessário".