Rivera vai à Moncloa dizer a Sánchez que "não vai dar asas a um Governo socialista"

Pablo Iglésias oferece ao líder do PSOE uma negociação "sem ultimatos e sem linhas vermelhas". Os socialistas querem governar sozinhos mas destacam a "boa colaboração com o Podemos".

Depois ter inaugurado ontem a ronda de negociações para o Governo com Pablo Casado, do Partido Popular, Pedro Sánchez reúne-se hoje com Albert Rivera, do Ciudadanos e Pablo Iglésias do Podemos.

Não é de esperar que saia algum tipo de acordo da reunião entre Rivera e Sánchez. O líder do Ciudadanos vetou qualquer pacto com Sánchez ainda durante a campanha eleitoral e a numero dois do partido, Inês Arrimadas, voltou a garantir ontem que não entra nos seus planos "dar asas a um governo de Sánchez, apoiado pelos populistas e pelos nacionalistas".

"Vamos dizer a Sánchez que estaremos na oposição. Com este PSOE de Pedro Sánchez, que sobe os impostos, que pactua com o Podemos, que pactua com os nacionalistas, que nos abandona na Catalunha, vais ser muito complicado", disse Arrimadas.

O partido de Albert Rivera defende que Sánchez já tem pactuado um acordo de Governo com o Podemos e o apoio dos nacionalistas e que só está à espera das eleições municipais e autonómicas do próximo 26 de maio para o revelar. Assim, o Ciudadanos não facilitará a investidura de Sánchez mas, à semelhança do que aconteceu ontem com o PP, estaria disposto a negociar alguns pactos de Estado.

Quanto a Pablo Iglésias, desde que se conheceram os resultados das eleições que o líder do Podemos tem pressionado o PSOE para alcançar um governo de coligação. No entanto, ontem, depois da reunião do conselho estatal do partido, Iglésias suavizou o discurso e disse estar disposto a uma negociação sem condições.

"Devemos convencer o partido socialista para inaugurar juntos uma época de colaboração e confiança que acho que os eleitores progressistas nos estão a pedir. A partir das diferenças, da negociação, do peso que cada um tem, mas acho que em Espanha toca colaborar, toca dialogar, toca sem linhas vermelhas, sem ultimatos, sem arrogância", anunciou Iglésias.

Esta é uma posição totalmente diferente da que adotou em 2016, quando exigiu, publicamente a Sánchez, ministérios tão importantes como o da Administração Interna ou o da Defesa. "Quando soubermos o conteúdo das reuniões e a vontade do Governo socialista de negociar um programa de Governo connosco, a nossa disponibilidade é total. Mas, de momento vamos esperar. O PSOE deve liderar as negociações mas não pode caminhar sozinho. As três direitas têm 149 deputados e o PSOE 123. Com os nossos 42 deputados, as forças progressistas sumariam 165", lembrou.

O pacto de governação com o partido de Pablo Iglesias parece estar assim mais perto. Os socialistas adiantaram já vontade de governar sozinhos, mas estenderam a mão ao Podemos. O secretário de organização do partido, José Luis Abalos, lembrou a experiência positiva desta legislatura: "É verdade que tivemos uma experiência muito positiva de colaboração com o Podemos no desenvolvimento de uma agenda social com apoio parlamentar e gostaríamos de revalidar e até incrementar esta colaboração".

De fora desta primeira ronda de contactos ficaram os partidos nacionalistas e independentistas da Catalunha e o Vox. Os socialistas consideram que o partido de extrema-direita "não reúne as condições necessárias para um acordo institucional". Quanto aos independentistas, depois do chumbo do orçamento de Estado que precipitou a convocatória de eleições, a vontade dos socialistas é ter um Governo que não dependa destes partidos.

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