Helena Carrapiço

"Se acordo for chumbado pela terceira vez, acho que May não tem alternativa"

Helena Carrapiço, especialista em relações internacionais, acredita que uma quarta tentativa de acordo pode levar à demissão da primeira-ministra britânica.

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Chegaram ao fim os três dias de votações no Parlamento britânico e, no final de contas, ficou tudo na mesma. Helena Carrapiço, professora de Relações Internacionais na Universidade de Aston, recorda que "a única possibilidade em cima da mesa, neste momento, é o acordo da primeira-ministra" e que é este mesmo acordo que vai apresentar, pela terceira vez, ao país na próxima semana.

Na opinião da especialista, "é muito provável que [o acordo] vá ser chumbado" de novo pelo Parlamento britânico e também que a decisão de adiar o Brexit - aprovada pela Câmara dos Comuns - possa não ser aceite pela União Europeia.

"Neste momento, a primeira-ministra vai a Bruxelas, vai pedir a extensão do artigo 50 e não tenho a certeza se vai ser autorizada ou não, terá de ser por unanimidade dos países membros, e a extensão será apenas até 30 de junho. Os Estados-membros podem bem pensar qual será o aspeto positivo de conceder o adiamento", esclarece a professora universitária.

Caso o acordo do Brexit volta a ser chumbado, Helena Carrapiço não vê que haja condições para uma quarta tentativa. "Se for chumbado a terceira vez, acho que a primeira-ministra terá de se aperceber que não há alternativa nem futuro político para ela e terão que ir por novas eleições, terá de pedir demissão", salvaguarda.

"Não me parece que haja outra alternativa", admite, embora, até agora, Theresa May "tenha sobrevivido a todos os obstáculos políticos que tenham sido criados". Apesar disso, a professora não consegue imaginar "que o acordo possa ser apresentado uma quarta vez".

O acordo do Governo britânico para a saída do Reino Unido da União Europeia voltou a não passar no Parlamento, esta tarde, e as alternativas também não chegaram a bom porto. Assim, o país ficou praticamente com o mesmo que tinha antes dos três dias das votações, exceção para a aprovação do adiamento do Brexit.

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