Acontece no Brasil

Subsídio "Auxílio-Paletó" foi longe demais para a população do Amapá

Deputados do carente estado do norte do Brasil acharam-se no direito de reservar mais um salário para comprar vestuário. A população não gostou e reagiu.

A Assembleia Legislativa do Amapá, carente estado do norte do Brasil, amanheceu com uma coleção de roupas usadas à frente dos portões de entrada. Tratava-se de uma oferta da população aos deputados.

Estaria o povo tão contente assim com os seus mandatários ao ponto de lhes oferecer o que vestir? Claro que não: a doação espontânea foi apenas um protesto acompanhado pelas televisões locais.

Em causa, a decisão dos parlamentares numa sessão dias antes, entalada algures entre o fim de 2017 e o início de 2018, quando a população está de férias ou distraída com as festas, de se auto-presentear com um salário extra de 25 mil reais [quase sete mil euros] como auxílio-vestuário - a iniciativa ficou conhecida como "auxílio-paletó", em alusão ao termo usado no país para blazer. Uma decisão votada e aprovada em tempo recorde.

Além do tal salário de quase sete mil euros e de uma ajuda de custos mensal para manter os seus gabinetes no valor de perto de 20 mil euros, os deputados estaduais amapaenses ainda se sentiram no direito de se atribuir um mimo em forma de roupa. Corruptos mas bem vestidos, devem ter pensado.

Nem todas as histórias no Brasil têm um final infeliz. O governador, assustado com a repercussão nacional do caso, vetou o auxílio-paletó. Usem, pois, a roupa em segunda mão doada pela população.

O correspondente da TSF no Brasil, João Almeida Moreira, assina todas as quintas-feiras no site da Rádio a crónica Acontece no Brasil.

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